Um medicamento vital para o tratamento de 19 tipos de câncer tornou-se o principal motivo de processos judiciais na saúde brasileira. O Keytruda, fabricado pela farmacêutica MSD, custa mais de R$ 20 mil por dose de 100 miligramas, um valor que está fora da realidade da maioria dos trabalhadores e sobrecarrega o orçamento público.
A investigação internacional Cancer Calculus revelou que a empresa utiliza uma estratégia chamada de 'fortaleza de patentes'. São mais de 1.200 pedidos de proteção legal para impedir que versões genéricas e mais baratas cheguem ao mercado. Com isso, a fabricante tenta manter o monopólio do remédio até o ano de 2042.
No Brasil, a situação é crítica: já existem quase 7 mil ações na Justiça movidas por pacientes que precisam do tratamento, mas não têm como pagar. Enquanto isso, o faturamento da farmacêutica no país saltou 265% nos últimos quatro anos, mostrando o lucro bilionário por trás da doença.
Há também uma polêmica sobre os custos de criação do remédio. Enquanto a empresa alega investimentos pesados em pesquisa, entidades internacionais afirmam que o gasto real foi de apenas 1% do que o medicamento rendeu em vendas desde 2014. Nos Estados Unidos, a fabricante chegou a repassar R$ 260 milhões para médicos em incentivos ligados ao produto.
Para tentar mudar esse cenário e economizar dinheiro público, o governo brasileiro fechou um acordo com o Instituto Butantan. A ideia é produzir o remédio em solo nacional, garantindo autonomia e permitindo que o SUS ofereça o tratamento para mais tipos de tumores, como os de pulmão, mama e colo do útero.
Atualmente, o acesso pelo SUS é muito limitado, focado apenas em casos de melanoma. Com a produção própria, o objetivo é acabar com as campanhas de arrecadação online e garantir que o tratamento dependa da necessidade do paciente, e não da sua conta bancária.







