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Saúde

Médico explica quando a dor de cabeça vira emergência: os sinais que não podem ser ignorados

Neurocirurgião aponta sintomas que distinguem dor comum de possível hemorragia cerebral e orienta o que fazer diante de casos graves

Redação ChicoSabeTudo
20 de junho, 2026 · 10:52 3 min de leitura
Ilustração médica mostrando cérebro humano com destaque para vasos sanguíneos, representando hemorragia cerebral
Ilustração médica mostrando cérebro humano com destaque para vasos sanguíneos, representando hemorragia cerebral

Uma dor de cabeça pode ser sinal de cansaço, estresse ou enxaqueca — mas também pode ser o primeiro aviso de uma hemorragia cerebral. Saber distinguir os dois casos pode salvar uma vida. O neurocirurgião João Paulo da Matta Silvestre, da Santa Casa de Maceió, explica em quais situações a dor de cabeça deixa de ser banal e passa a exigir atenção médica imediata.

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Segundo o especialista, a maior parte das dores de cabeça tem causas benignas, como enxaqueca e cefaleia tensional. O alerta vale para o paciente que nunca teve histórico de dor de cabeça e de repente sente uma dor súbita, intensa e persistente. Esse perfil, segundo ele, precisa ser avaliado com urgência.

Entre os principais sinais de que algo mais grave pode estar acontecendo estão: dor de cabeça forte e repentina, vômitos, perda de equilíbrio, tontura, formigamentos, dormências, alterações na fala e outros déficits neurológicos. Os sintomas da hemorragia cerebral aparecem repentinamente e podem incluir fraqueza, confusão mental e paralisia, particularmente em um lado do corpo. Quando esses sinais surgem juntos e de forma súbita, o médico orienta considerar a possibilidade de um evento hemorrágico.

Nos casos mais graves — convulsões, desmaios ou rebaixamento do nível de consciência — a recomendação é acionar o SAMU pelo número 192 sem hesitar. Procure um serviço médico o mais rápido possível ou ligue para o SAMU. Quanto antes o paciente tiver um tratamento adequado, melhor será sua recuperação. Se houver convulsão, a orientação é posicionar a pessoa de lado e aguardar o socorro.

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As causas mais comuns de hemorragia cerebral são traumatismos cranianos, AVC hemorrágico e rompimento de aneurismas. A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para esse tipo de AVC, pois o aumento da pressão nos vasos pode causar danos progressivos às artérias cerebrais. O problema é ainda mais frequente em adultos e idosos com pressão mal controlada.

O cenário brasileiro é preocupante. Entre janeiro e outubro de 2025, 64.471 brasileiros morreram em decorrência de AVC — o equivalente a uma morte a cada seis minutos. O ritmo consolidou a doença como a segunda principal causa de óbito no país, superando o infarto agudo do miocárdio. Fatores como tabagismo, obesidade e consumo frequente de álcool ampliam esse risco ao comprometer o controle da pressão arterial.

Outro ponto de atenção levantado pelo médico é o uso de anticoagulantes e antiagregantes plaquetários. O uso de anticoagulantes — medicamentos utilizados para prevenir tromboses — pode aumentar o risco de sangramentos internos. Segundo o neurocirurgião, pacientes que fazem uso dessas medicações podem desenvolver hemorragia cerebral mesmo após uma queda aparentemente simples, e o sangramento pode se manifestar dias ou semanas depois do trauma — risco ainda maior em idosos.

Em alguns casos, principalmente em pacientes jovens sem fatores de risco conhecidos, familiares de primeiro grau podem ser orientados a realizar exames preventivos como a angiorressonância cerebral, indicada para investigar aneurismas com componente genético.

Para confirmar o diagnóstico de hemorragia cerebral, o exame de referência é a tomografia computadorizada. Uma tomografia computadorizada pode criar imagens do cérebro que confirmam um sangramento ou mostram sinais de trauma na cabeça. Com o resultado em mãos, a equipe médica consegue direcionar rapidamente a conduta mais adequada para cada caso.

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