Uma dor de cabeça pode ser sinal de cansaço, estresse ou enxaqueca — mas também pode ser o primeiro aviso de uma hemorragia cerebral. Saber distinguir os dois casos pode salvar uma vida. O neurocirurgião João Paulo da Matta Silvestre, da Santa Casa de Maceió, explica em quais situações a dor de cabeça deixa de ser banal e passa a exigir atenção médica imediata.
Segundo o especialista, a maior parte das dores de cabeça tem causas benignas, como enxaqueca e cefaleia tensional. O alerta vale para o paciente que nunca teve histórico de dor de cabeça e de repente sente uma dor súbita, intensa e persistente. Esse perfil, segundo ele, precisa ser avaliado com urgência.
Entre os principais sinais de que algo mais grave pode estar acontecendo estão: dor de cabeça forte e repentina, vômitos, perda de equilíbrio, tontura, formigamentos, dormências, alterações na fala e outros déficits neurológicos. Os sintomas da hemorragia cerebral aparecem repentinamente e podem incluir fraqueza, confusão mental e paralisia, particularmente em um lado do corpo. Quando esses sinais surgem juntos e de forma súbita, o médico orienta considerar a possibilidade de um evento hemorrágico.
Nos casos mais graves — convulsões, desmaios ou rebaixamento do nível de consciência — a recomendação é acionar o SAMU pelo número 192 sem hesitar. Procure um serviço médico o mais rápido possível ou ligue para o SAMU. Quanto antes o paciente tiver um tratamento adequado, melhor será sua recuperação. Se houver convulsão, a orientação é posicionar a pessoa de lado e aguardar o socorro.
As causas mais comuns de hemorragia cerebral são traumatismos cranianos, AVC hemorrágico e rompimento de aneurismas. A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para esse tipo de AVC, pois o aumento da pressão nos vasos pode causar danos progressivos às artérias cerebrais. O problema é ainda mais frequente em adultos e idosos com pressão mal controlada.
O cenário brasileiro é preocupante. Entre janeiro e outubro de 2025, 64.471 brasileiros morreram em decorrência de AVC — o equivalente a uma morte a cada seis minutos. O ritmo consolidou a doença como a segunda principal causa de óbito no país, superando o infarto agudo do miocárdio. Fatores como tabagismo, obesidade e consumo frequente de álcool ampliam esse risco ao comprometer o controle da pressão arterial.
Outro ponto de atenção levantado pelo médico é o uso de anticoagulantes e antiagregantes plaquetários. O uso de anticoagulantes — medicamentos utilizados para prevenir tromboses — pode aumentar o risco de sangramentos internos. Segundo o neurocirurgião, pacientes que fazem uso dessas medicações podem desenvolver hemorragia cerebral mesmo após uma queda aparentemente simples, e o sangramento pode se manifestar dias ou semanas depois do trauma — risco ainda maior em idosos.
Em alguns casos, principalmente em pacientes jovens sem fatores de risco conhecidos, familiares de primeiro grau podem ser orientados a realizar exames preventivos como a angiorressonância cerebral, indicada para investigar aneurismas com componente genético.
Para confirmar o diagnóstico de hemorragia cerebral, o exame de referência é a tomografia computadorizada. Uma tomografia computadorizada pode criar imagens do cérebro que confirmam um sangramento ou mostram sinais de trauma na cabeça. Com o resultado em mãos, a equipe médica consegue direcionar rapidamente a conduta mais adequada para cada caso.







