A Bahia se despede de uma de suas mais importantes figuras religiosas e culturais. Morreu na madrugada desta sexta-feira (26) Mãe Carmen, a ialorixá que esteve à frente do Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase, mais conhecido como Terreiro do Gantois, por mais de duas décadas. Ela tinha 98 anos e estava internada há cerca de duas semanas no Hospital Português, em Salvador, na Bahia. Mãe Carmen completaria 99 anos na próxima segunda-feira (29).
A ialorixá era a filha mais nova da lendária Mãe Menininha do Gantois, uma das figuras mais reverenciadas do Candomblé no Brasil. Ao assumir a liderança da casa em 2002, Mãe Carmen deu continuidade a um legado de fé, resistência e cultura que é pilar da identidade baiana e brasileira. O Terreiro do Gantois, que ela comandou como a quinta religiosa da história da casa, é um patrimônio cultural e religioso de importância inestimável, mantendo vivas as tradições africanas no país.
A trajetória de Mãe Carmen no Candomblé começou cedo. Ela foi iniciada na religião ainda criança, aos 7 anos de idade, e dedicou toda a sua vida à fé e à comunidade. Sua liderança não se restringiu aos rituais religiosos; ela foi uma guardiã da memória e dos costumes do Gantois, garantindo que as futuras gerações pudessem aprender e praticar as tradições herdadas de seus ancestrais.
Ao longo de sua vida, Mãe Carmen recebeu diversas homenagens que refletem a profunda admiração e respeito que conquistou. Uma dessas reverências foi a canção “A Força do Gantois”, composta pelo sambista Nelson Rufino e lançada em agosto de 2011, que celebra a importância espiritual e cultural do terreiro e de seus líderes.
O velório de Mãe Carmen está sendo realizado nesta sexta-feira (26) no próprio Terreiro do Gantois, permitindo que a comunidade e admiradores prestem suas últimas homenagens. O sepultamento está marcado para este sábado (27), às 11h30, no Cemitério Jardim da Saudade, também localizado em Salvador.







