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Saúde

HPV: vacina para vítimas de violência sexual chega aos 2 anos

Medida vale para vítimas de violência sexual; antes, indicação começava aos 9 anos, segundo o Ministério da Saúde

Redação ChicoSabeTudo
17 de setembro, 2026 · 21:25 3 min de leitura

O Ministério da Saúde ampliou a recomendação da vacina contra o HPV para meninos e meninas a partir de 2 anos que sejam vítimas de violência sexual. A mudança consta em nota técnica do órgão e foi divulgada por veículos e entidades entre 14 e 15 de setembro de 2026.

Antes da atualização, a indicação da vacina para vítimas de violência sexual valia para pessoas de 9 a 45 anos, segundo o Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Farmácia (CFF). Com a mudança, crianças a partir dos 2 anos também passam a ter direito a uma dose da vacina quadrivalente, desde que haja avaliação de serviço de saúde especializado ou de profissional responsável pelo atendimento.

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Segundo o Ministério da Saúde, a ampliação leva em conta a vulnerabilidade de crianças vítimas de violência sexual e o aumento de notificações de casos envolvendo menores de 9 anos. A Folha de S.Paulo, que teve acesso à nota técnica, informou ainda que o documento aponta crescimento dos casos especialmente entre meninas negras e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Dados citados pelo Ministério da Saúde e pelo CFF mostram que as notificações de violência sexual entre crianças de 0 a 4 anos passaram de 1.671 casos em 2014 para 7.845 em 2024. Na faixa de 5 a 14 anos, o número foi de 6.594 para 29.135 no mesmo período. Já entre adolescentes de 15 a 19 anos, os casos passaram de 1.632 para 6.869, conforme dados repassados pela página do Ministério da Saúde.

Em nota técnica, o Ministério da Saúde afirma que a violência sexual na infância aumenta a vulnerabilidade a infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HPV. "A violência sexual na infância está associada a maior vulnerabilidade para aquisição de infecções sexualmente transmissíveis (IST), incluindo o HPV. Além do risco imediato decorrente da exposição inicial, há evidências de recorrência da violência em parcela dessas vítimas, ampliando o potencial de exposição futura ao vírus", diz o órgão.

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O documento também destaca que vítimas de violência sexual têm maior risco de desenvolver problemas emocionais, transtornos mentais e outras condições que aumentam a exposição a infecções ao longo da vida. "Adicionalmente, estudos demonstram que vítimas de violência sexual apresentam maior risco de desenvolver problemas emocionais, transtornos mentais, dificuldades de aprendizagem, comportamento sexual de risco e outras condições que podem aumentar sua suscetibilidade às IST ao longo da vida", afirma a nota.

Segundo a Folha, a dose aplicada após o abuso não substitui a vacinação de rotina contra o HPV, prevista dos 9 aos 14 anos. A reportagem também informa que a vacina não evita nem reverte uma infecção por HPV já adquirida, mas pode proteger contra outros tipos do vírus.

Municípios já começaram a se adaptar à nova regra. Em Manaus, a Prefeitura passou a oferecer a dose para crianças a partir de 2 anos vítimas de violência sexual, mediante avaliação do Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (Savvis) ou de profissionais responsáveis, além de exigência de registro da condição clínica e consentimento do responsável legal.

Até a publicação desta reportagem, não foram localizadas informações de órgãos públicos ou veículos de Jeremoabo e da região sobre a aplicação da nova recomendação em nível local. Prefeituras vizinhas, como a de Paulo Afonso, mantêm apenas registros anteriores sobre vacinação rotineira contra o HPV e atendimento a vítimas de violência sexual, sem confirmação específica sobre a ampliação da faixa etária.

Como já informado anteriormente, dados sobre o ano de comparação dos casos de violência sexual em crianças de 0 a 4 anos apresentaram divergência entre fontes. Nesta atualização, prevalecem os números de 2014 e 2024 confirmados pela Folha de S.Paulo e pelo Conselho Federal de Farmácia.

Relembre: Vacinação de HPV para vítimas de abuso: dados divergem sobre idade

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