Pesquisadores alertam que microplásticos retirados do mar, ao formarem uma película pela interação com produtos químicos e matéria orgânica presentes na água, passaram a aderir com mais facilidade à pele e, em alguns casos, a penetrar tecidos humanos, segundo estudo publicado no Journal of Hazardous Materials.
Como isso acontece? Em experimentos, a equipe observou que essas partículas revestidas se acumularam em pontos específicos dentro de células da pele e ficaram menos percebidas pelos mecanismos de defesa cutânea — levantando a hipótese de uma via de entrada para o corpo além do consumo acidental.
“A maioria das pessoas está preocupada com o que acontece quando você ingere microplásticos acidentalmente, mas nosso trabalho analisou como eles podem estar entrando no corpo através da pele e o que podem estar trazendo consigo”, disse Dr. Wei Xu, da Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências Biomédicas do Texas.
O que são os microplásticos
Os pesquisadores definiram microplásticos como partículas sólidas à base de polímero com menos de 5 milímetros de diâmetro. Eles os dividiram em duas categorias principais:
- Primários — fabricados para uso comercial, como microesferas de cosméticos e microfibras têxteis;
- Secundários — resultantes da degradação de objetos plásticos maiores, como canudos e garrafas.
O estudo lembra que esses materiais podem levar milhares — ou até milhões — de anos para se decompor e já foram detectados em solo, água potável e em diversos órgãos humanos, incluindo sangue, cérebro, coração, pulmões, fezes e placentas.
Onde isso importa
Desde 1990, o contato humano com microplásticos cresceu cerca de seis vezes. Locais com grande contato com água do mar — como praias e zonas costeiras — apresentam maior probabilidade de exposição cutânea; nesse contexto, o litoral da Bahia foi apontado como especialmente relevante.
Riscos e recomendações
Os autores chamam atenção para outro ponto: se as partículas transportarem proteínas, produtos químicos ou toxinas, o risco potencial aos tecidos humanos pode aumentar. Por isso, recomendam novos estudos focados nessa via de entrada e que os resultados sejam considerados em pesquisas futuras e nas discussões sobre políticas de saúde ambiental.
As conclusões, publicadas no Journal of Hazardous Materials, reforçam a necessidade de mais investigação e de atenção às formas de exposição além da ingestão acidental.







