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Saúde

Estudo da Meta: Controle parental pouco freia uso de redes em jovens

Um estudo interno da Meta, revelado em julgamento, indica que controles parentais e limites de tempo têm pouco efeito no uso compulsivo de redes sociais por adolescentes, reacendendo debate sobre saúde mental.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
18 de fevereiro, 2026 · 01:33 3 min de leitura
(Imagem: mundissima / Shutterstock.com)
(Imagem: mundissima / Shutterstock.com)

Um estudo interno da Meta, empresa responsável por Facebook e Instagram, trouxe à tona uma discussão importante sobre o uso das redes sociais por adolescentes. Segundo a pesquisa, chamada Project MYST, a supervisão dos pais, incluindo limites de tempo e os famosos controles parentais, teria pouco impacto no uso compulsivo dessas plataformas pelos jovens.

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As informações surgiram durante um julgamento que acontece nos Estados Unidos, no Tribunal Superior do Condado de Los Angeles. Advogados da acusação usaram o levantamento para reforçar a ideia de que as empresas de tecnologia são responsáveis por supostos danos à saúde mental de quem usa seus aplicativos.

A ação judicial foi iniciada por uma jovem, identificada como Kaley, junto com a mãe dela e outras pessoas. Eles acusam as empresas de criar produtos que seriam “viciantes e perigosos”, ligados a problemas como ansiedade, depressão e outras questões emocionais que afetam a vida dos adolescentes.

O que diz o Project MYST?

O estudo Project MYST, que significa Meta and Youth Social Emotional Trends, foi feito em parceria com a Universidade de Chicago. Para a pesquisa, foram ouvidos mil adolescentes e seus pais sobre como eles usavam as redes sociais. O que foi apresentado no tribunal é que fatores da família e a supervisão em casa não teriam muita relação com o quanto os adolescentes se importam com o tempo que passam nas plataformas.

“A pesquisa concluiu que fatores familiares e a supervisão doméstica têm pouca relação com o nível de atenção que os adolescentes dizem ter em relação ao próprio uso das plataformas.”
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Para ser mais claro, o estudo indicou que pais e filhos pensavam de forma parecida: não haveria uma ligação direta entre os relatos de supervisão dos pais e a capacidade dos jovens de controlar o tempo que gastam nas redes. Isso significa que, na visão dos advogados da acusação, ferramentas como os controles de tempo que vêm nos aplicativos, como o Instagram, ou limites de uso do celular, talvez não sejam suficientes para diminuir aquele comportamento compulsivo de ficar sempre conectado.

Acusações e a defesa da Meta

Os advogados da parte que acusa também argumentam que as plataformas têm mecanismos que fazem as pessoas ficarem mais tempo online. Eles citam os feeds que funcionam com algoritmos, as “recompensas” que surgem de vez em quando e as notificações constantes, tudo para prender o usuário.

Durante o depoimento no julgamento, Adam Mosseri, o chefe do Instagram, disse que não conhecia os detalhes do estudo, mesmo que documentos mostrassem que ele teria aprovado o avanço da pesquisa. Mosseri justificou que a empresa faz muitos estudos e que não se lembrava das informações específicas do Project MYST, só do nome.

Outro ponto que surgiu no julgamento foi a ligação entre as experiências difíceis na vida real e o comportamento nas redes sociais. A pesquisa mostrou que adolescentes que passaram por situações ruins, como brigas em casa, bullying na escola ou outros problemas, disseram ter menos controle sobre o uso das plataformas.

Mosseri comentou que existem várias razões para esse comportamento e mencionou que algumas pessoas usam o Instagram para tentar “escapar” de realidades complicadas. Ele também fez questão de dizer que a Meta prefere usar o termo “uso problemático” em vez de “vício”, definindo-o como quando alguém passa mais tempo no aplicativo do que considera saudável.

Já os advogados da Meta defenderam que a pesquisa só analisou se os adolescentes sentiam que usavam as redes em excesso, sem concluir que havia uma dependência de fato. A defesa também argumentou que coisas como o divórcio dos pais e o bullying podem ter um papel muito importante no estado emocional dos jovens, mais do que o uso das redes.

Até o momento, os resultados do Project MYST não foram divulgados para o público. Também não houve nenhum tipo de alerta para pais ou adolescentes baseado nas conclusões desse estudo. A Meta foi procurada para comentar o caso, mas as informações divulgadas são as do tribunal.

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