O uso do ChatGPT como fonte inicial de informações médicas aumentou significativamente, mesmo diante de advertências de especialistas sobre os riscos dessa prática. Um estudo do The Washington Post, avaliado pelo renomado médico Robert Wachter, chefe do departamento de medicina da Universidade da Califórnia em São Francisco, analisou mais de 250 interações para elucidar o desempenho do chatbot em questões de saúde.
A análise revelou que, embora o ChatGPT consiga fornecer explicações claras e precisas em muitos casos, falha gravemente ao não reconhecer situações que exigem atenção médica urgente. Entre as conversas analisadas, Wachter avaliou 12 delas, destacando que as respostas do chatbot variam entre informações úteis e orientações que podem ser prejudiciais ao usuário.
Uma das conversas exemplifica a eficiência do sistema, em que o chatbot respondeu de forma exemplar a perguntas bem estruturadas sobre sintomas, recebendo nota 10 em algumas delas. No entanto, quatro respostas foram classificadas como inadequadas, devido à falta de perguntas essenciais que ajudariam a diagnosticar a situação de urgência.
“O ChatGPT falha em uma das funções essenciais de um médico: responder a uma pergunta com outra pergunta”,afirmou Wachter.
Os melhores resultados surgiram quando os usuários forneciam informações detalhadas sobre seus sintomas, permitindo que o chatbot se aproximasse da lógica médica. O especialista indicou que a ferramenta pode auxiliar em tarefas como entender resultados de exames, organizar perguntas para consultas e esclarecer termos técnicos citados por médicos.
Apesar das potencialidades do ChatGPT, a necessidade de um olhar cético por parte dos usuários é fundamental. A OpenAI, empresa responsável pelo desenvolvimento do chatbot, reconhece suas limitações e trabalha para aprimorar o modelo. Segundo Wachter, futuros avanços devem incluir a capacidade do sistema de simular comportamentos médicos, começando conversas e avaliando a urgência das situações apresentadas.







