O Brasil está enfrentando um desafio crescente na saúde pública: o número de adultos com diabetes aumentou impressionantes 135% nos últimos 18 anos. Os dados, que vêm da pesquisa Vigitel 2025, mostram que a taxa subiu de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024. Mas não é só o diabetes que preocupa; a hipertensão e a obesidade também avançam, acendendo um alerta sobre os hábitos de vida dos brasileiros.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde anunciou uma resposta robusta. O ministro Alexandre Padilha apresentou a estratégia Viva Mais Brasil, uma iniciativa nacional para promover a saúde, prevenir doenças crônicas e melhorar a qualidade de vida da população. A mobilização foi lançada nesta quarta-feira (28) e conta com um investimento significativo para reverter esses números alarmantes.
Um retrato da saúde brasileira: Mais doenças, menos movimento
Os dados do Vigitel 2025 trazem um panorama preocupante. Além do salto no diabetes, a pesquisa revela que, no mesmo período (2006 a 2024), a hipertensão cresceu 31%, a obesidade subiu 118% e o excesso de peso aumentou 47%. Essas condições são conhecidas como Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) e estão diretamente ligadas aos hábitos alimentares e à falta de atividade física.
E as mudanças nos hábitos de vida são evidentes. A pesquisa mostra que a prática de atividade física no deslocamento diário, como ir a pé ou de bicicleta para o trabalho, caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024. Por outro lado, a proporção de adultos que fazem atividade física moderada no tempo livre aumentou para 42,3%. O consumo regular de frutas e hortaliças, no entanto, permaneceu estável em cerca de 31% da população.
Pela primeira vez, o Vigitel também trouxe dados sobre o sono dos brasileiros, revelando que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite. Além disso, 31,7% apresentam sintomas de insônia, com maior incidência entre as mulheres. Esses indicadores reforçam a necessidade urgente de políticas integradas de promoção da saúde.
Viva Mais Brasil: Investimento e Academias da Saúde
Para combater o avanço dessas doenças, o Ministério da Saúde investirá R$ 340 milhões em políticas de promoção da atividade física. Um dos destaques é a retomada e o fortalecimento do programa Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões ainda em 2026, conforme previsto em portaria assinada recentemente.
“Com essas mudanças, virá recurso do presidente Lula para ampliar o investimento e contratar profissionais para atuarem nas Academias da Saúde. A implantação de espaços com equipamentos e profissionais orientando, vinculados às unidades básicas de saúde, levou à redução do uso de medicamentos, inclusive ansiolíticos e antidepressivos”, explicou o ministro Alexandre Padilha. Ele ainda reforçou que o convívio social aliado à atividade física faz muito bem e promove a saúde.
O programa também verá um aumento no custeio dos serviços, que pode chegar a R$ 10 mil, dependendo da modalidade, carga horária e número de profissionais. Atualmente, o Brasil conta com 1.775 Academias da Saúde, e a meta é credenciar mais 300 novos serviços até o final do ano, expandindo o acesso da população a locais de prática de exercícios com orientação profissional.
Compromissos para uma vida mais saudável
A estratégia Viva Mais Brasil não foca apenas na atividade física, mas articula e fortalece diversas políticas existentes do SUS. A iniciativa busca incentivar e apoiar os brasileiros na adoção de modos de vida mais saudáveis, com ações tanto nas unidades do SUS quanto no setor privado.
O programa tem 10 compromissos claros para ajudar a população a viver mais e melhor:
- Mais movimento e vida ativa;
- Mais alimentação saudável;
- Menos tabaco e álcool;
- Mais saúde nas escolas;
- Menos doenças crônicas;
- Mais vacinação em todo o Brasil;
- Mais protagonismo e autonomia;
- Mais saúde digital;
- Mais cultura da paz e menos violências;
- Mais práticas integrativas e complementares.
Com esses investimentos e a mobilização nacional, o Ministério da Saúde espera reverter o quadro preocupante e promover uma vida mais saudável para todos os brasileiros, combatendo o avanço de doenças crônicas que afetam milhões.







