O curativo biológico desenvolvido a partir da pele de tilápia, criação da Universidade Federal do Ceará (UFC), avança para a produção em larga escala e poderá ser disponibilizado em toda a rede hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS). O licenciamento da patente para a farmacêutica Biotec, após dez anos de pesquisa, permitirá a fabricação industrial deste inovaador produto, culminando em um marco na transferência de tecnologia acadêmica para a iniciativa privada.
Originado no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da UFC em 2015, o curativo já havia mostrado resultados positivos no tratamento de queimaduras em projetos restritos, tanto no Brasil quanto no exterior. A Biotec, com sede em São José dos Campos (SP), investirá R$ 48 milhões para a construção de uma fábrica exclusiva, permitindo que a tecnologia alcance um número maior de pacientes.
De acordo com a farmacêutica, o curativo de pele de tilápia se destaca por proporcionar alívio significativo da dor, que pode ser minimizada ou até eliminada em até 48 horas, reduzindo a necessidade de morfina. Além de sua aplicação em queimaduras, ele também está sendo utilizado em procedimentos de reconstrução vaginal para mulheres que passaram por radioterapia.
A expansão da produção industrial prevê a fabricação de um milhão de unidades no primeiro ano, com capacidade máxima estimada em 30 milhões de unidades em três anos. Com essa nova linha de produção, a Biotec espera atender à demanda crescente, já que cerca de um milhão de pessoas sofrem queimaduras anualmente no Brasil, cada um requerendo uma média de 22 unidades de curativos.
O contrato de licenciamento prevê que a UFC e os inventores da tecnologia recebam R$ 850 mil como compensação, além de 3,7% sobre os lucros líquidos da fábrica. A opção de reinvestir 0,5% em atividades de pesquisa adicionado pode ser um incentivo à continuidade das inovações na área. A fábrica poderá ser instalada em São Paulo, onde a logística para o acesso à matéria-prima é mais viável.







