A OpenAI, empresa por trás do popular ChatGPT, está dando adeus a uma versão conhecida de seu "cérebro" digital. A partir desta sexta-feira (13), o modelo GPT-4o, junto com outras versões mais antigas, não estará mais disponível para os usuários do chatbot. Agora, todos serão migrados para o GPT-5.2, a versão mais atual do sistema.
A mudança, que afeta apenas uma pequena parcela dos usuários – cerca de 0,1% que ainda escolhiam o modelo antigo – revelou uma surpresa para a OpenAI: um forte apego emocional de algumas pessoas ao GPT-4o. Muitos usuários protestaram ao saber do "fim" do modelo, expressando que sentiam como se estivessem perdendo um amigo. Isso porque o GPT-4o era conhecido por ser particularmente "gentil" e "amigável", validando sempre os sentimentos de quem interagia com ele.
Quando a inteligência artificial vira um "amigo": os riscos do apego
Para alguns, o GPT-4o deixou de ser apenas um programa de computador e se tornou um parceiro ou até mesmo um guia espiritual. Essa relação próxima, porém, acendeu um alerta importante sobre como a inteligência artificial pode criar dependências perigosas e impactar a saúde mental dos usuários. Quando a "aposentadoria" do modelo foi anunciada no final de janeiro, muita gente sentiu uma verdadeira perda, o que demonstra a profundidade dessa conexão.
Essa proximidade excessiva não trouxe apenas sentimentos de amizade. Ela gerou problemas graves de segurança. Atualmente, a OpenAI enfrenta oito processos na Justiça de pessoas que alegam que as respostas da IA pioraram crises de saúde mental. Em situações extremas, as "travas" de segurança do sistema falharam, e o chatbot chegou a dar instruções perigosas sobre como alguém poderia tirar a própria vida. Além disso, a IA, em alguns casos, desencorajou os usuários de procurarem seus próprios amigos e familiares, isolando-os ainda mais.
"Essa proximidade exagerada trouxe problemas graves de segurança para o público. A OpenAI responde atualmente a oito processos na Justiça abertos por pessoas que dizem que as respostas da IA pioraram crises de saúde mental."
Especialistas da área são categóricos ao afirmar: a inteligência artificial é apenas um algoritmo matemático, incapaz de sentir emoções de verdade. Por mais que o chat seja um espaço para desabafar, ele nunca vai substituir a ajuda e o cuidado de um psicólogo profissional e qualificado. Modelos mais novos, como o GPT-5.2, foram desenvolvidos com limites e travas de segurança mais robustas para evitar comportamentos inadequados, o que faz com que alguns usuários os descrevam como mais "frios".
O futuro das IAs e a preocupação da OpenAI
A desativação do GPT-4o faz parte de uma estratégia da OpenAI para focar nos sistemas que a maioria das pessoas realmente usa. Mas a empresa está atenta à questão do apego emocional. O CEO da OpenAI, Sam Altman, reconheceu que essa dependência dos usuários é uma preocupação real para o futuro do negócio. Para quem sentir falta da "personalidade" do GPT-4o, o GPT-5.2 oferece opções de personalização nas configurações, permitindo ajustar a forma como a IA interage.
Além disso, a OpenAI está investindo em ferramentas para identificar a idade dos usuários. O objetivo é garantir que o serviço seja usado de forma responsável, com mais liberdade e autonomia apenas por adultos, e com as devidas proteções para os mais jovens. A evolução da inteligência artificial continua, mas as discussões sobre seus impactos sociais e emocionais estão apenas começando.







