A Casa da Mulher Brasileira em Salvador, na Bahia, alcançou uma marca importante ao completar dois anos de funcionamento na última sexta-feira (19). Nesses 24 meses, a instituição se tornou um ponto de apoio fundamental, registrando um total impressionante de 28.709 atendimentos a mulheres que enfrentam diversos tipos de violência na capital baiana.
Localizada na Avenida Tancredo Neves, no bairro Caminho das Árvores, a Casa oferece um serviço contínuo e essencial, funcionando 24 horas por dia, todos os dias da semana, sem interrupções em feriados ou fins de semana. Esse acesso permanente mostra a dimensão da demanda e a necessidade de um local seguro e disponível a qualquer momento.
Os números revelam a gravidade e a complexidade da violência. Entre os quase 29 mil atendimentos, 3.614 mulheres conseguiram medidas protetivas, um passo crucial para garantir a segurança delas. A maioria dos casos aponta para violências que muitas vezes são invisíveis, mas igualmente devastadoras:
- 64,7% das mulheres foram vítimas de violência psicológica.
- 50,8% sofreram violência moral.
- 35,6% enfrentaram violência física.
- Além disso, foram registrados 2.612 casos de violência sexual.
Esses dados mostram que a violência vai muito além do contato físico, afetando a saúde mental e a dignidade das vítimas de formas profundas. Do total de atendimentos, 16.276 mulheres foram encaminhadas diretamente para a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), evidenciando a busca por justiça e proteção.
A secretária de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), Fernanda Lordêlo, reforça que esses números, apesar de altos, também representam um avanço na luta contra a violência.
“Esses dois anos não representam comemoração, mas responsabilidade. Os números não são positivos, eles revelam que a violência existe, mas também mostram que mais mulheres estão rompendo o silêncio e acessando uma rede de acolhimento integrada, humanizada e contínua, que hoje é referência nacional”, disse Fernanda Lordêlo.
Ela destaca a importância de um ambiente onde as mulheres se sintam seguras para denunciar e buscar ajuda. O perfil das vítimas atendidas na Casa também é um dado importante: 87,8% se autodeclararam pretas e pardas, e 28% tinham mais de 46 anos, sublinhando a necessidade de políticas públicas que considerem as especificidades de diferentes grupos.
Como a Casa da Mulher Brasileira ajuda
A Casa da Mulher Brasileira foi pensada para oferecer uma rede de apoio completa e integrada, evitando que as vítimas precisem se deslocar para vários lugares em um momento tão delicado. Assim que chegam, as mulheres recebem o suporte de uma equipe psicossocial, que as ajuda a entender suas opções e a lidar com o trauma.
No mesmo espaço, funcionam diversos órgãos essenciais para o combate à violência, facilitando o acesso aos serviços. Entre eles estão:
- A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), para registro de ocorrências.
- O Tribunal de Justiça (TJ-BA), para medidas judiciais.
- O Ministério Público (MP-BA), que atua na defesa dos direitos das mulheres.
- A Defensoria Pública do Estado, que oferece assistência jurídica gratuita.
Além disso, o suporte municipal é garantido pelo Centro de Referência de Atenção à Mulher Loreta Valadares, complementando o atendimento. A unidade também oferece assistência jurídica, cuidados de saúde e apoio na busca por alternativas de moradia segura e independente para que as vítimas possam recomeçar suas vidas com mais autonomia.
Para casos de emergência, a Casa conta com um abrigo temporário com 16 vagas, onde as mulheres podem se proteger imediatamente, junto com seus filhos menores de 18 anos. Uma brinquedoteca está disponível para as crianças, garantindo um espaço de acolhimento também para elas. Essa estrutura integrada garante que as mulheres encontrem, em um só lugar, toda a ajuda que precisam para romper o ciclo de violência e reconstruir suas vidas.







