Cansaço fora do comum, inchaço nas pernas, falta de ar ao deitar. Sinais assim podem parecer coisa de quem está "fora de forma" ou ansioso — mas também podem ser o primeiro aviso de uma insuficiência cardíaca. A condição afeta cerca de 3 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, e registra aproximadamente 200 mil novos casos por ano no país.
Nesta quinta-feira, 9 de julho, é celebrado o Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca. A data existe para lembrar que a doença, embora grave e crônica, pode ser controlada — e que o quanto antes o diagnóstico for feito, melhor o prognóstico.
A cardiologista Maria Guerreiro, do Ambulatório de Insuficiência Cardíaca Avançada do Hospital da Bahia, conversou com o portal A Tarde sobre o tema. Ela destaca que os avanços dos últimos anos mudaram completamente o cenário da doença: "Muitos pacientes levam uma vida sem limitações, conseguindo preservar suas atividades laborais, prática de atividade física e atividades de lazer", afirmou.
Segundo a especialista, a terapia medicamentosa, quando iniciada cedo, pode reduzir em até 70% a mortalidade. Além das novas gerações de remédios, procedimentos como ablação cardíaca e implante de marcapasso também passaram a integrar o arsenal terapêutico em casos selecionados.
O problema é que os sintomas da insuficiência cardíaca se disfarçam facilmente. Cansaço para tarefas cotidianas, inchaço no corpo, ganho de peso sem causa aparente, palpitações e falta de ar — especialmente ao deitar — são os principais sinais de alerta. "Esses sintomas muitas vezes podem ser confundidos com outras causas como ansiedade, falta de condicionamento físico, problemas pulmonares, o que pode levar ao atraso em procurar o cardiologista", explicou Guerreiro.
Para investigar a doença, o cardiologista costuma solicitar eletrocardiograma, ecocardiograma, radiografia de tórax e dosagem de peptídeos natriuréticos no sangue. Dependendo dos resultados, podem ser necessários exames mais detalhados, como cateterismo ou ressonância magnética cardíaca. Com o avanço da medicina de precisão, testes genéticos também vêm sendo usados para investigar a origem da doença em casos específicos, segundo informações divulgadas pelo portal A Tarde.
A doença é a terceira causa de internações em pessoas com mais de 60 anos no Brasil. Com o envelhecimento da população, a tendência é que os números cresçam ainda mais — o que torna a prevenção ainda mais urgente.
Além dos remédios, o tratamento passa por mudanças de hábito. Praticar atividade física regularmente, parar de fumar, evitar bebidas alcoólicas, controlar o consumo de sal e monitorar o peso diariamente são medidas que ajudam a reduzir internações e frear a progressão da doença. Hipertensão, diabetes e doenças coronárias — quando associadas à insuficiência cardíaca — também precisam ser tratadas em conjunto.
A mensagem central da campanha deste ano é direta: o diagnóstico de insuficiência cardíaca não é uma sentença. Com acompanhamento médico contínuo e adesão ao tratamento, é possível manter qualidade de vida e, em alguns casos, até reverter a condição. O ponto de partida é não ignorar os sinais que o corpo dá.







