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Saúde

Brasil investiga seis mortes por pancreatite com suspeita de ligação a canetas emagrecedoras

Seis mortes suspeitas ligam alerta na Anvisa sobre canetas emagrecedoras. Veja o que dizem médicos e fabricantes sobre a segurança e contraindicações.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
07 de fevereiro, 2026 · 15:00 3 min de leitura
 Foto: Reprodução/TV Globo
Foto: Reprodução/TV Globo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou, desde 2018, seis mortes suspeitas e 225 notificações de pancreatite associadas ao uso de medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, popularmente conhecidos como "canetas emagrecedoras". Os dados constam no VigiMed, o sistema oficial de monitoramento da agência, e incluem relatos tanto do uso comercial quanto de pesquisas clínicas.

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As notificações envolvem substâncias como semaglutida, liraglutida, lixisenatida, tirzepatida e dulaglutida. Embora os números tenham gerado alerta, autoridades sanitárias e médicos reforçam que os dados não indicam a necessidade de suspensão do uso, mas sim a urgência de restringir a automedicação e combater o mercado irregular.


O que dizem os dados

O levantamento aponta que os casos de pancreatite (inflamação do pâncreas) foram registrados em pacientes de diversos estados, incluindo São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal. No caso das seis mortes notificadas, a localização geográfica não foi detalhada.

É fundamental compreender a natureza desses dados para evitar conclusões precipitadas:

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    Notificação Suspeita: Os dados são classificados como "suspeitos". Após a notificação, cada caso precisa passar por uma análise técnica rigorosa para confirmar se o medicamento foi, de fato, a causa do problema.

  • Subnotificação: Como a notificação de efeitos adversos por médicos e hospitais não é compulsória (obrigatória) no Brasil, especialistas estimam que o número real de casos pode ser maior.

  • Contexto Global: A atenção sobre o tema cresceu após um alerta no Reino Unido, que registrou 19 mortes e milhares de notificações. Em nível mundial, há registro de 14.530 notificações de pancreatite e 378 mortes associadas a essa classe de fármacos.

Medicamentos Citados

Na base de dados da Anvisa, as notificações aparecem associadas a marcas como Wegovy, Victoza, Trulicity, Saxenda, Xultophy, Ozempic, Rybelsus e Mounjaro.

No entanto, a agência faz uma ressalva importante: não é possível atribuir a culpa exclusivamente a essas marcas. Há registros crescentes de uso de canetas falsificadas, irregulares ou manipuladas, vendidas como "similares", que não possuem garantia de qualidade ou procedência.


A visão dos especialistas: Risco vs. benefício

A comunidade médica reforça que o risco de pancreatite é um efeito adverso conhecido, raro, e descrito nas bulas desses medicamentos. Além disso, há um fator de confusão importante: o próprio perfil do paciente.

"É preciso ser cuidadoso porque esse risco pode ser causado por uma doença prévia. Pessoas com diabetes e obesidade, que são o público tratado pela caneta, têm mais risco de desenvolver pancreatite. Ainda não temos como saber se esses casos estão sendo causados pelo medicamento ou pelas próprias doenças de base." — Alexandre Hohl, médico endocrinologista e presidente da SBEM.

O consenso médico é que esses remédios são ferramentas valiosas que salvam vidas ao controlar o diabetes e a obesidade, mas se tornam perigosos quando usados:

  • Sem indicação clínica (uso estético);

  • Sem acompanhamento médico regular;

  • Adquiridos de fontes duvidosas (mercado ilegal ou manipulação sem controle).


Medidas de controle e mercado ilegal

A Anvisa informou que segue investigando os casos e monitorando o cenário. Uma das medidas de segurança já implementadas foi a exigência de retenção de receita médica para a venda desses produtos, visando garantir que todo paciente seja avaliado criteriosamente antes de iniciar o tratamento.

O maior risco, segundo analistas, reside no uso sem orientação. Sem um médico para monitorar a dose e o histórico clínico, sinais precoces de inflamação no pâncreas podem passar despercebidos, evoluindo para quadros graves.

Além disso, o mercado paralelo representa um risco sanitário: estimativas apontam que o comércio ilegal desses medicamentos movimente cerca de R$ 600 milhões por ano no Brasil.


Posicionamento das fabricantes

As empresas farmacêuticas responsáveis pelas principais marcas reforçaram que a segurança do paciente é prioridade e que os riscos já são comunicados de forma transparente.

  • Eli Lilly Afirma monitorar todos os registros. Destaca que a bula do Mounjaro (tirzepatida) já adverte que a pancreatite aguda é uma reação adversa incomum. Aconselha pacientes a interromperem o uso e procurarem um médico em caso de sintomas suspeitos.

  • Novo Nordisk Reforça que existe uma advertência de classe para todas as terapias baseadas em GLP-1 referente ao risco de pancreatite. A condição está listada como reação adversa nas bulas de Ozempic, Rybelsus, Wegovy, Victoza e Saxenda.

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