Uma bebê de apenas 18 dias de vida morreu na última quarta-feira (8) em São Miguel dos Campos, no interior de Alagoas, com suspeita de chikungunya contraída ainda no útero. A recém-nascida faleceu devido a falência múltipla de órgãos, e a suspeita é de infecção por chikungunya contraída no útero, após a mãe ser diagnosticada durante a gravidez.
O óbito representa a terceira morte causada pela doença no município em menos de dois meses. Segundo o secretário municipal de Saúde, Ademir Vieira, a mãe da recém-nascida contraiu chikungunya ainda durante a gestação e apresentava sintomas da doença no dia do parto.
A bebê nasceu infectada, mas sem sinais clínicos aparentes. Dias depois, começou a manifestar os sintomas, foi internada, mas não resistiu às complicações. O sepultamento ocorreu na manhã de quinta-feira (9).
A situação acende um alerta sanitário. O risco de transmissão vertical do vírus chikungunya é de 50% quando a gestante é infectada no último trimestre da gestação, próximo ao parto. Não há tratamento antiviral específico para o recém-nascido infectado, sendo o manejo sintomático necessário, com cuidados intensivos em casos graves.
As outras duas mortes no município também chocaram pela proximidade. As vítimas anteriores foram mãe e filha: Rubenita Lins dos Santos, de 60 anos, que faleceu em 30 de maio, e Crisleine Lins dos Santos, que morreu no dia 4 de julho. Segundo o relatório médico, Crisleine apresentou quadro de saúde grave durante a internação, com pressão arterial baixa, infecção bacteriana e falência múltipla de órgãos.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que Alagoas registrou 910 casos prováveis de chikungunya em 2026, contabilizados entre 1º de janeiro e 8 de julho. As três mortes de São Miguel dos Campos ainda passam por análise laboratorial e epidemiológica para confirmação oficial.
O secretário Ademir Vieira reforçou que o município tem intensificado as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, com visitas de agentes de endemias, aplicação de larvicidas e recolhimento de objetos que acumulam água, destacando que a participação da população é essencial para conter o avanço da doença.
A prevenção depende do controle vetorial e da proteção das gestantes contra a picada dos insetos. Autoridades de saúde reforçam que grávidas devem redobrar os cuidados durante surtos de arboviroses, evitando criadouros do Aedes aegypti dentro e fora de casa.







