A vida de Paulo Araújo, de 38 anos, mudou completamente depois que ele foi baleado durante uma tentativa de assalto no fim do ano passado. O tiro o deixou paraplégico, sem movimentos do peito para baixo. Mas uma nova esperança surgiu na última sexta-feira (6), em um hospital de Salvador.
Paulo se tornou o primeiro paciente em um hospital particular da Bahia a receber um tratamento experimental com a enzima polilaminina. O procedimento, que faz parte de um estudo aprovado pela Anvisa, busca reparar lesões graves na medula espinhal.
A aplicação foi feita diretamente na medula espinhal de Paulo. De forma simples, a enzima age desfazendo a cicatriz que se forma no local da lesão. Essa cicatriz é o que normalmente impede os neurônios de se reconectarem e se regenerarem.
Segundo os médicos, o objetivo é criar um ambiente mais favorável para que o próprio sistema nervoso consiga restabelecer as conexões perdidas. Como o dano era grande, a substância foi aplicada em diferentes pontos para aumentar a chance de sucesso.
É importante ressaltar que se trata de uma abordagem nova e ainda em fase de testes, indicada para lesões recentes. Os especialistas afirmam que não é uma cura, mas sim um avanço significativo que abre um novo caminho para pacientes que hoje têm poucas opções.
Agora, o caminho de Paulo segue com reabilitação intensa e fisioterapia especializada. O tratamento com a enzima dá a oportunidade, mas o trabalho duro na reabilitação é fundamental para estimular qualquer possível recuperação de sensibilidade e movimento.
Depois de meses de incerteza, Paulo vê no estudo uma chance de lutar. "Tenho a oportunidade de ter esperança de voltar a ter movimentos. Creio que Deus está permitindo que novas portas se abram não só para mim, mas para muitas outras pessoas", afirmou.







