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Saúde

Bahia registra alta de quase 60% nos casos de hepatite C enquanto mundo avança na redução da doença

Especialista do Cedap aponta crescimento nos novos diagnósticos entre 2021 e 2025 e alerta que muitos casos ainda não chegam à notificação oficial no estado.

Redação ChicoSabeTudo
29 de julho, 2026 · 00:08 3 min de leitura
Profissional de saúde realizando teste rápido para hepatites virais em unidade do SUS na Bahia
Profissional de saúde realizando teste rápido para hepatites virais em unidade do SUS na Bahia

Enquanto o Brasil avança no combate às hepatites virais e o mundo comemora a redução no número global de portadores, a Bahia nada contra a corrente: os casos de hepatites B e C cresceram de forma consistente nos últimos quatro anos no estado, segundo dados da Secretaria de Saúde da Bahia (SESAB).

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A hepatite B registrou crescimento moderado no período. De acordo com informações divulgadas pela SESAB, os casos passaram de 588 (taxa de 3,9 por 100 mil habitantes) em 2021 para 820 (5,5 por 100 mil habitantes) em 2025 — uma alta de aproximadamente 39,5% no total de diagnósticos e de 41% na taxa de detecção.

A hepatite C foi ainda mais expressiva. Os casos saltaram de 595, em 2021, para 943 em 2025, representando crescimento de cerca de 58,5% nos diagnósticos e 57,5% na taxa de detecção, conforme os mesmos dados estaduais. A taxa de detecção da hepatite C na Bahia chegou a 6 por 100 mil habitantes em 2025, com incremento de 15,4% em comparação com 2024.

A médica hematologista Delvone Almeida, coordenadora da unidade fígado do Centro Estadual Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa (Cedap), reconhece que os dados locais preocupam, mas coloca o cenário em perspectiva histórica. Segundo ela, o panorama geral das hepatites virais na Bahia melhorou bastante quando comparado a décadas anteriores: "O panorama vem caindo bastante em relação à hepatite B e C, mas ainda se tem casos de crescimento. Já tivemos no passado, no mundo inteiro, 160 milhões de portadores de hepatites. Hoje falamos de 58 milhões", declarou ao Bahia Notícias.

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A especialista também apontou que o crescimento dos diagnósticos não é uniforme dentro do estado. Segundo ela, a macrorregião Leste e a capital Salvador concentram a maior parte dos casos, mas há aumento preocupante também no Extremo Sul da Bahia. Outro fator que dificulta a leitura completa do problema é a subnotificação: "A gente sabe que tem muitos casos que não são notificados. Com isso, é difícil revelar o contexto em toda sua extensão", alertou Delvone. Aumentos consideráveis foram registrados também nas macrorregiões Centro Leste (76,9%), Centro Norte (54,5%) e Leste (22,9%), dados que preocupam frente à meta do Ministério da Saúde de eliminar a hepatite C como problema de saúde pública até 2030.

No plano nacional, o quadro é mais animador. A Bahia reduziu em 58,7% os óbitos por hepatite C entre 2014 e 2024, caindo de 75 para 31 mortes. Os óbitos por hepatite B também recuaram 6,7% no mesmo período. No Brasil como um todo, a meta da OMS é reduzir os óbitos por hepatites virais em 65% até 2030, e o país já atingiu 60% dessa redução em 2025, segundo o coordenador-geral de Vigilância das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mario Gonzales.

A Bahia é o estado com maior número de casos notificados de hepatite C no Nordeste, com 9.908 ocorrências registradas. A hepatite B, por sua vez, é a forma mais comum no estado, com 10.635 casos acumulados.

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Em 2024, o Brasil registrou mais de 34 mil casos diagnosticados de hepatite viral, com cerca de 1,1 mil mortes diretas. Os tipos B e C são os mais prevalentes no país, e a maior parte dos casos é crônica: o vírus permanece silencioso no organismo por décadas, causando danos acumulados no fígado, até provocar quadros graves como cirrose ou câncer.

O SUS disponibiliza gratuitamente as vacinas contra hepatite A e B. No caso da hepatite C, a infecção pode ser confirmada por testes laboratoriais e tratada com antivirais que têm taxa de cura superior a 95%. A campanha federal "Um teste pode mudar tudo" reforça, neste mês de julho, a importância do diagnóstico precoce — especialmente para uma doença que, na maioria das vezes, não apresenta sintomas até estágios avançados.

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