Na madrugada deste sábado (4), o governo da Venezuela veio a público denunciar uma séria “agressão militar” contra seu território. Diante do ataque, o presidente Nicolás Maduro rapidamente assinou um decreto estabelecendo o estado de Comoção Exterior em todo o país. Essa medida visa mobilizar todas as forças de defesa e as instituições nacionais para enfrentar a situação.
Segundo o comunicado oficial do governo venezuelano, os ataques atingiram a capital, Caracas, e também os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. O governo aponta os Estados Unidos como responsáveis pela ação, que teria como objetivo principal controlar as vastas reservas de petróleo e minerais da nação sul-americana, atingindo tanto instalações civis quanto militares.
A agência de notícias Associated Press (AP) confirmou que aconteceram pelo menos sete explosões em Caracas, deixando a população em pânico. Testemunhas relataram ter visto aeronaves sobrevoando a região logo após os fortes estrondos.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também usou suas redes sociais para se manifestar sobre o ocorrido. Ele afirmou que mísseis atingiram o território venezuelano, reforçando a gravidade da situação.
Um chamado à defesa da soberania
Em um comunicado oficial extenso, a República Bolivariana da Venezuela foi categórica ao “rejeitar, repudiar e denunciar perante a comunidade internacional a gravíssima agressão militar”. O texto acusa diretamente o governo atual dos Estados Unidos, descrevendo o episódio como uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente dos artigos que garantem o respeito à soberania e a proibição do uso da força.
“Esse ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente de seus artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, à igualdade jurídica dos Estados e à proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacional, concretamente da América Latina e do Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas.”
O governo venezuelano acredita que o ataque é uma tentativa de impor uma “guerra colonial” para derrubar o governo e promover uma “mudança de regime”. O comunicado reforça que o povo venezuelano, ao longo de mais de duzentos anos, sempre defendeu sua independência e continuará firme na defesa de seu destino. Há uma clara alusão a momentos históricos de defesa contra potências estrangeiras, como o bombardeio de suas costas em 1902.
Para lidar com a crise, o presidente Nicolás Maduro ordenou a implementação imediata de todos os planos de defesa nacional. Isso inclui o deslocamento do Comando para a Defesa Integral da Nação e dos Órgãos de Direção para a Defesa Integral em todos os estados e municípios do país. O estado de Comoção Exterior, declarado por Maduro, visa proteger a população e garantir o funcionamento das instituições, além de preparar o país para a “luta armada”.
A diplomacia venezuelana também entra em ação, com a promessa de apresentar denúncias ao Conselho de Segurança da ONU, ao Secretário-Geral da organização, à CELAC e ao MNOAL. O objetivo é buscar a condenação internacional e a responsabilização do governo dos Estados Unidos pelo ataque.
O governo finaliza com um apelo à união nacional e à solidariedade internacional dos povos e governos da América Latina, do Caribe e do mundo, relembrando palavras do Comandante Supremo Hugo Chávez Frías sobre a importância da “unidade, luta, batalha e vitória” em momentos de dificuldade.
O comunicado, assinado em Caracas, na Venezuela, leva a data de 3 de janeiro de 2026.







