A famosa “taxa das blusinhas”, um imposto de 20% sobre as compras internacionais de até US$ 50, fez a arrecadação do governo federal quase dobrar em 2025. Dados recentes mostram que a União recolheu R$ 5 bilhões em tributos sobre produtos importados naquele ano. Esse valor é um salto significativo em comparação com os R$ 2,88 bilhões arrecadados em 2024, ano em que a taxa começou a valer em agosto.
Essa alta na arrecadação chama a atenção, principalmente porque os brasileiros compraram menos pacotes do exterior. O número de encomendas caiu de 189 milhões para 165 milhões em apenas um ano. No entanto, o valor total gasto nessas compras cresceu, atingindo um novo recorde de R$ 18,6 bilhões. Isso quer dizer que, mesmo importando menos itens, o bolso do consumidor desembolsou mais dinheiro no total.
Consumidores mudam hábitos e Receita Federal monitora
A Receita Federal notou uma mudança clara no comportamento de compra dos brasileiros. Cada vez mais pessoas estão fazendo poucas compras internacionais por ano (até três), enquanto o grupo que comprava muito (mais de cinco vezes por ano) diminuiu. Além disso, muitos consumidores estão optando por produtos nacionais vendidos pela internet, um sinal de que a tributação pode estar direcionando o mercado.
Grande parte desse movimento é monitorada pelo sistema Remessa Conforme, uma plataforma onde empresas gigantes do e-commerce, como Shein e Amazon, se cadastram para regularizar suas vendas no Brasil. Por meio dele, cerca de 50 milhões de brasileiros pagam seus impostos de forma automática na hora da compra, o que trouxe algumas vantagens importantes:
- Entrega mais rápida: Em grandes capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, os produtos podem chegar em apenas três dias.
- Clareza no valor: O consumidor sabe exatamente quanto vai pagar de imposto no momento da compra, evitando surpresas ou boletos extras depois que o produto já está a caminho.
Por que a taxa existe e qual o debate em torno dela?
A “taxa das blusinhas” foi uma resposta a um pedido da indústria e do varejo brasileiro. O objetivo era equilibrar a competição, já que os produtos nacionais geralmente pagavam mais impostos do que os importados antes da criação dessa nova tributação, criando uma concorrência que muitos consideravam desleal.
Mas, até hoje, a discussão sobre a eficácia e o impacto dessa taxa continua acesa. De um lado, representantes do varejo defendem que a medida foi positiva, gerando mais de um milhão de empregos e impulsionando a economia do país. Por outro lado, um estudo levado ao Congresso Nacional levanta preocupações. Ele indica que a taxa pesou no bolso dos consumidores de baixa renda, que acabaram pagando mais caro e, consequentemente, comprando menos. Esse estudo também questiona o real impacto na criação de novos postos de trabalho.
Em meio a esse debate, existe um projeto de lei (PL 3261/2025) tramitando na Câmara dos Deputados que busca acabar com essa taxa. De autoria do deputado Kim Kataguiri (União-SP), o PL propõe restabelecer a isenção de imposto de importação para compras de até US$ 50, argumentando que a tributação atual prejudica o consumidor e a racionalidade do sistema tributário.







