A diretoria do Sindicato dos Médicos (Sindimed) divulgou uma nota oficial aos seus associados nesta semana, expressando grande preocupação após a rejeição do relatório anual e da prestação de contas na Assembleia Geral Ordinária (AGO) do dia 2 de março de 2026. Segundo o comunicado do sindicato, a votação que culminou na reprovação das contas teria sido previamente orquestrada por alguns participantes da assembleia, que inclusive apresentaram um documento de impugnação já pronto.
A entidade questiona veementemente a falta de justificativas claras e detalhadas para os votos contrários. Para a presidência do Sindimed, a ausência de argumentos sólidos para a reprovação das contas, mesmo diante de um superávit de R$ 400 mil apresentado, sugere uma motivação política por trás da decisão.
Entenda a situação financeira e as dívidas herdadas
No comunicado, o Sindimed fez questão de esclarecer o cenário financeiro da atual gestão. Apesar do superávit de R$ 400 mil nas contas apresentadas, a diretoria atual herdou uma série de dívidas de administrações passadas. Entre elas, destaca-se um débito de R$ 480 mil com a Receita Federal, referente ao não pagamento de INSS de funcionários em 2009, executado somente em 2022.
Além disso, o sindicato também enfrentou multas substanciais relacionadas a greves consideradas ilegais que ocorreram em 2015. Essas multas, executadas em 2023, somam R$ 1 milhão e R$ 120 mil, representando um desafio financeiro considerável para a entidade.
'Perseguição política', diz Sindimed
A presidência do Sindimed entende a importância crucial da aprovação das contas para a boa governança e a credibilidade de qualquer entidade. No entanto, a forma como a AGO foi conduzida e a decisão final levantaram "sérias questões", conforme descrito na nota. O sindicato aponta que apenas um médico apresentou uma tese relacionada a uma possível perda de imunidade tributária, argumento que, para a direção, não se configurou como uma impugnação específica às contas apresentadas.
“Impugnação sem justificativa é considerada como perseguição política e não decisão técnica/fundamentada”, afirma a presidência do Sindimed em sua nota, destacando a falta de base para os votos contrários.
O sindicato reforça que possui um parecer jurídico que valida a atuação da entidade e atesta que os procedimentos adotados estão em total conformidade com a legislação aplicável. Para a diretoria, essa falta de fundamentação impede que ela exerça plenamente seu direito ao contraditório, ou seja, de apresentar sua defesa e esclarecer quaisquer dúvidas. A deliberação sem bases concretas é vista como um ato arbitrário, fragilizando a governança da instituição.
Apesar de reconhecer a soberania da Assembleia Geral, o Sindimed argumenta que suas decisões, especialmente em questões financeiras que afetam diretamente a sustentabilidade do sindicato, não podem ser infundadas. Uma reprovação sem justificativas robustas compromete a solidez jurídica da decisão.
A diretoria do Sindimed reitera seu compromisso com a transparência, a legalidade e os princípios democráticos, informando que está tomando as "medidas necessárias para assegurar um procedimento rigoroso e justo", buscando clareza para a situação e esperando o engajamento dos associados para fortalecer a gestão do sindicato.







