Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Política

Refinaria baiana corta preço da gasolina em 4,5% e do diesel em até 6,9% — mas Petrobras avisa que alta vem aí

A Acelen, operadora da Refinaria de Mataripe, reduziu os valores cobrados das distribuidoras nesta quinta-feira (14), acompanhando a queda do petróleo no mercado internacional.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
15 de maio, 2026 · 01:13 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
Portal ChicoSabeTudo

Quem abastece na Bahia pode respirar um pouco mais aliviado — ao menos por enquanto. A Acelen, controladora da Refinaria de Mataripe, reduziu o preço de alguns combustíveis a partir desta quinta-feira, 14. Os cortes valem para os repasses às distribuidoras e tendem a chegar, com algum prazo, ao consumidor nos postos de combustível.

Publicidade

A gasolina passará a custar, em média, R$ 3,960 o litro; o diesel S-500, R$ 5,107 o litro; e o diesel S-10, R$ 5,572 o litro. Em termos percentuais, a gasolina teve queda de 4,5%; o diesel S-500, de 6,9%; e o diesel S-10, de 2,2%.

O movimento acompanha a ligeira queda do preço do petróleo no mercado internacional. Segundo especialistas, "uma vez que você observa que tanto o barril de petróleo, e naturalmente os refinados, sofreram uma redução de preço no mercado internacional, juntamente com a apreciação do câmbio, isso acaba incidindo na precificação da Acelen".

A refinaria justifica os ajustes com base em critérios técnicos. Segundo a companhia, "os preços dos produtos da Refinaria de Mataripe para as distribuidoras seguem critérios de mercado que levam em consideração variáveis como custo do petróleo, que é adquirido a preços internacionais; câmbio e frete, podendo variar para cima ou para baixo".

Publicidade

A Mataripe é a segunda maior refinaria do Brasil e representa 14% da capacidade total de refino do país, sendo 42% do Nordeste e 80% da Bahia. Por isso, qualquer alteração nos preços praticados ali repercute diretamente no bolso dos consumidores de todo o Nordeste, incluindo Paulo Afonso e o Vale do São Francisco.

Os repasses de ajustes de preços das refinarias vendidos a distribuidoras não são imediatos e dependem de uma série de questões, como impostos, mistura de biodiesel e margens de distribuição e revenda. Ou seja: a queda anunciada hoje não necessariamente chega amanhã à bomba.

O cenário, porém, não é só de alívio. Enquanto a Acelen corta preços na Bahia, a Petrobras sinaliza movimento contrário no restante do país. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira, 12, durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026, que a estatal prepara um reajuste no preço da gasolina "já já", em meio à alta do petróleo no mercado internacional.

Segundo Magda, o tema exige cautela maior do que no diesel por causa da concorrência direta com o etanol no país. A executiva destacou que a Petrobras acompanha a recente queda do preço do etanol no mercado doméstico antes de promover qualquer reajuste mais forte na gasolina.

O movimento ocorre em um cenário de forte pressão internacional sobre o valor do barril de petróleo, impulsionado pelos conflitos no Oriente Médio. As medidas do governo para conter o impacto incluem subvenções para diesel e GLP, isenções tributárias sobre biodiesel e querosene de aviação, além de punições mais rigorosas contra preços abusivos.

Em nota separada também nesta quinta-feira, a Acelen afirmou que a política de preços da Petrobras afeta todo o mercado de refino privado brasileiro. "Para enfrentar tamanha defasagem, a Acelen precisa exportar combustíveis, uma vez que os preços do mercado interno estão represados já há algum tempo", disse a empresa. A disputa entre as duas políticas de preço — uma privada, outra estatal — segue sendo o pano de fundo que define o que o brasileiro paga na bomba.

Leia também