O pastor Elias Cardoso, líder da Assembleia de Deus Ministério de Perus, em São Paulo, realizou duras críticas à escola de samba Acadêmicos de Niterói durante cultos realizados no início desta semana. O posicionamento do religioso ocorreu em resposta ao desfile da agremiação na Série Ouro (acesso ao Grupo Especial) do Rio de Janeiro, que prestou homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apresentou alas com sátiras a grupos conservadores.
Durante um culto realizado na segunda-feira (16/02) e reiterado na terça-feira (17/02), Cardoso abordou o tema classificando a apresentação da escola como um desrespeito à fé evangélica. Em sua fala, o pastor afirmou que não buscaria medidas na justiça comum, mas invocou uma retribuição divina, mencionando especificamente o câncer.
“Tripudiaram em cima da nossa fé, não vamos responder. Vamos orar. A hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, eles vão lembrar com quem mexeram”, declarou o pastor aos fiéis.
Em seu discurso, Elias Cardoso enfatizou que a resposta à suposta ofensa não viria de instituições terrenas. O religioso fez referências diretas ao Poder Judiciário brasileiro, afirmando que a questão seria resolvida em outra instância espiritual.
“A melhor representação não é no Supremo Tribunal Federal (STF), não é na Justiça, não é no Ministério Público, é lá em cima, direto no trono. Deus vai responder”, afirmou Cardoso, apontando para o céu e referindo-se ao que chamou de "supremo tribunal celestial".
Ele complementou dizendo que "Deus vai responder" a todos aqueles que, segundo sua visão, imitaram e provocaram os membros e a fé da igreja durante o evento carnavalesco.
A reação do líder religioso tem como alvo central o enredo da Acadêmicos de Niterói. Além da homenagem à trajetória do presidente Lula, o desfile trouxe elementos críticos à oposição política e ao conservadorismo.
O ponto de maior tensão foi a ala intitulada “Neoconservadores em conserva”. Os integrantes desfilaram fantasiados dentro de latas de conserva, as quais estampavam o desenho de uma "família tradicional" (pai, mãe e dois filhos). A alegoria foi interpretada como uma sátira à atuação de setores evangélicos e conservadores na política, que, segundo a narrativa da escola, atuam em oposição às pautas defendidas pelo atual governo.
A apresentação da Acadêmicos de Niterói também gerou reações imediatas na esfera política. Parlamentares da oposição utilizaram as imagens do desfile para contrapor a crítica.
Após a passagem da escola pela Sapucaí, políticos ligados à base conservadora apropriaram-se da representação visual da ala, divulgando fotos e montagens — algumas geradas por inteligência artificial — com a temática da "lata de conserva" para reafirmar seus valores e criticar o teor do enredo da agremiação.
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