A corrida acelerada da inteligência artificial (IA) encontrou um obstáculo inesperado bem em Nova York, nos Estados Unidos. Legisladores de lá estão pensando seriamente em congelar a construção e operação de novos centros de dados – as grandes infraestruturas que fazem a IA e a internet funcionarem – por pelo menos três anos.
O motivo dessa ideia, que virou um projeto de lei, é o medo de que o avanço tecnológico sobrecarregue a rede elétrica. A preocupação principal? Ver a conta de luz dos moradores ficar mais cara por conta do consumo gigantesco de energia desses locais.
Preocupação com a conta de luz une diferentes partidos
A iniciativa vem das parlamentares democratas Liz Krueger e Anna Kelles, que propuseram uma moratória de, no mínimo, três anos na emissão de licenças para esses empreendimentos. Elas temem que a infraestrutura que mantém “chatbots” e outros sistemas de IA ativos possa desestabilizar o sistema elétrico, repassando o custo para os consumidores.
Essa preocupação, aliás, tem unido políticos de diferentes lados. O senador progressista Bernie Sanders, por exemplo, defende uma paralisação parecida em nível nacional. Já o governador conservador da Flórida, Ron DeSantis, criticou o crescimento descontrolado, afirmando que os cidadãos não deveriam pagar contas de energia mais altas para sustentar a expansão tecnológica.
Ambientalistas e a governadora de olho
Não são só os políticos que estão atentos. Mais de 230 grupos de defesa do meio ambiente, incluindo o conhecido Greenpeace, se juntaram e enviaram uma carta aberta ao Congresso pedindo a suspensão dessas obras.
A senadora Liz Krueger não hesitou em expressar sua preocupação:
“O estado está completamente despreparado para a chegada desses centros gigantescos. É hora de apertar o botão de pausa para evitar uma bolha que, ao estourar, deixará a conta para o consumidor.”
Até a governadora de Nova York, Kathy Hochul, já está agindo. Ela anunciou o programa Energize NY Development, que busca modernizar a conexão de grandes usuários de energia à rede. Mas há uma condição clara: exigir que as empresas de tecnologia “paguem sua parte justa” pelos gastos com toda essa infraestrutura.
O debate agora gira em torno de como Nova York pode continuar sendo um polo de tecnologia sem que o avanço custe caro demais para o bolso dos moradores ou ameace a estabilidade de todo o sistema elétrico. É um desafio para equilibrar o progresso com o bem-estar da população.







