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Política

“Ninguém gosta de perder jogador bom de futebol”, diz Jerônimo sobre saída de Angelo Coronel do PSD

Em meio a tensões no PSD, Jerônimo descarta debate ideológico esquerda x direita e reforça necessidade de chapa competitiva para 2026.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
04 de fevereiro, 2026 · 14:37 3 min de leitura
Crédito: Marina Silva/CORREIO
Crédito: Marina Silva/CORREIO

Diante das recentes turbulências políticas que agitam a base aliada governista na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) adotou uma postura de apaziguamento na manhã desta quarta-feira (4). Ao comentar o reposicionamento do senador Angelo Coronel — que recentemente se autodeclarou de centro-direita e admitiu a possibilidade de apoio ao espectro bolsonarista —, o chefe do Executivo estadual evitou o embate direto e recorreu ao pragmatismo para defender a integridade do seu grupo político.

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A declaração ocorreu durante agenda oficial no Hospital Ana Nery, em Salvador. Questionado pela imprensa sobre o risco de uma ruptura interna, Jerônimo utilizou metáforas esportivas para ilustrar seu desejo de manutenção da aliança.

“Eu, de forma nenhuma, quero ou queria ver meu grupo desagregado. Eu não gostaria de perder ninguém; ninguém gosta de perder jogador bom de futebol. Então, eu espero que a gente possa chegar a um bom consenso”, afirmou o governador, sinalizando que a porta para o diálogo permanece aberta, apesar das divergências ideológicas.

O fator Otto Alencar

Para gerenciar a crise, Jerônimo Rodrigues destacou que tem acompanhado a situação "passo a passo", mas depositou confiança na articulação do senador Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia e figura central na manutenção da estabilidade da base.

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“Quero mais uma vez reconhecer a postura do presidente do PSD na Bahia, uma liderança nacional, que é o senador Otto Alencar, muita sensatez”, pontuou Jerônimo, transferindo para a liderança pessedista a responsabilidade pela condução das tratativas internas com Coronel.

Foco em 2026 e pragmastismo

Mais do que as disputas ideológicas imediatas, o olhar do governador está voltado para o cenário eleitoral de 2026. Rodrigues reforçou que a estratégia central é a montagem de uma chapa robusta, capaz de garantir a governabilidade e a continuidade do projeto político do PT e aliados no estado e no país.

“O que está na minha mira é construirmos uma chapa competitiva. Sempre disse isso, não vai ser agora que a gente vai mudar o discurso”, garantiu. O governador detalhou os objetivos concretos da coalizão: “Vamos montar uma chapa para garantir a reeleição do presidente Lula, a minha reeleição, a eleição de dois bons senadores, além de fortalecer as bancadas federal e estadual”.

Ao ser confrontado com a dicotomia ideológica levantada por Coronel, Jerônimo tentou esvaziar o debate polarizado entre esquerda e direita, argumentando que tais rótulos não orientam sua gestão administrativa.

“Essa postura de esquerda ou direita não está no meu radar. O que está no meu radar é a gente poder fazer o que estamos fazendo aqui”, disse, referindo-se às entregas de obras e serviços. “A política vai ter o seu momento. Agora, a gente precisa mostrar à Bahia que quer trabalhar por ela.”

Agenda na saúde

O cenário escolhido para as declarações políticas foi a entrega de novos equipamentos de saúde pública. Às 6h30 desta quarta-feira, o governador inaugurou uma nova Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Cardiovascular no Hospital Ana Nery, localizado no bairro da Caixa D’Água.

Além da inauguração, foi assinada a ordem de serviço para a reforma de leitos de UTI já existentes na unidade. O aporte financeiro do Estado supera a marca de R$ 3,7 milhões, visando ampliar a capacidade de atendimento de alta complexidade para a população baiana. O evento serviu como pano de fundo para Jerônimo reforçar a narrativa de que a gestão prioriza a "entrega de resultados" acima das disputas partidárias.

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