Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Política

MPF defende Joseildo Ramos em acusação de propaganda antecipada

MPF defende Joseildo Ramos em acusação de propaganda antecipada: publicizar atos parlamentares é dever de prestação de contas. TSE pode rever decisão.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
19 de janeiro, 2026 · 21:45 2 min de leitura
Foto: Divulgação / Câmara dos Deputados
Foto: Divulgação / Câmara dos Deputados

O Ministério Público Federal (MPF) emitiu um parecer que pode mudar o rumo de uma ação contra o deputado federal Joseildo Ribeiro Ramos (PT). Segundo o documento, o MPF se posicionou a favor do parlamentar, argumentando que a divulgação de seus atos como deputado não pode ser considerada propaganda eleitoral antecipada.

Publicidade

A polêmica começou com uma representação do Partido Novo, que alegou propaganda eleitoral fora do tempo certo. A legenda contestou outdoors instalados em Alagoinhas, na Bahia, e região, que exibiam a frase “Em 2026 o trabalho continua para a vida melhorar”. Para o Partido Novo, isso seria uma tentativa de fazer campanha muito antes do período permitido, faltando cerca de nove meses para o início oficial da eleição.

No âmbito da justiça eleitoral baiana, o caso teve uma decisão inicial contra o deputado. O desembargador eleitoral substituto Isaías Vinícius de Castro Simões concedeu uma liminar, determinando a retirada dos outdoors em até 48 horas. Essa decisão abriu a primeira ação de propaganda eleitoral antecipada na Bahia para o próximo ciclo eleitoral.

Agora, o parecer do procurador Ovídio Augusto Machado, assinado nesta segunda-feira (19), traz um novo entendimento. O MPF defende que mostrar o trabalho parlamentar é algo diferente de fazer campanha. "A divulgação de atos parlamentares encontra abrigo no ordenamento eleitoral e decorre do dever constitucional de prestação de contas à população e, portanto, não se confunde com a propaganda eleitoral no seu sentido estrito”, afirmou o procurador no documento.

Publicidade

O ponto central do MPF é que a mensagem nos outdoors – “Em 2026 o trabalho continua para a vida melhorar” – não fazia um pedido explícito de voto. Além disso, a publicidade não mencionava uma candidatura futura nem exaltava qualidades pessoais do deputado. Joseildo Ramos segue em seu mandato até o final de 2026, e a divulgação de suas ações é vista como parte de seu dever constitucional de prestar contas à sociedade.

Por entender que os outdoors não tinham um conteúdo eleitoral claro, o MPF pediu que a denúncia seja considerada improcedente. O parecer conclui que, “ausente conteúdo eleitoral, o momento e o meio utilizado para veicular as aludidas mensagens não se submetem ao crivo da Justiça Eleitoral por serem consideradas o que se convencionou chamar de ‘indiferente eleitoral’”. Isso significa que, sem um caráter eleitoral evidente, a mensagem é apenas uma informação sem relevância para a Justiça Eleitoral.

Diante do novo posicionamento do Ministério Público Federal, a expectativa é que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reavalie a decisão inicial da Justiça baiana. O caso agora ganha um novo desdobramento importante.

“Sempre prestei contas nas redes sociais, no nosso programa de rádio, concedendo entrevistas e também em outdoors. Faço isso o ano todo, todos os anos. Isso não é novidade. É uma obrigação legal de quem respeita o povo e honestamente é vergonhoso que outros parlamentares daqui não façam o mesmo”, declarou o deputado federal Joseildo Ramos em nota, reiterando a legalidade de seu material de divulgação.

Leia também