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MP-BA entra na Justiça para forçar prefeitura de Laje a reformular Conselho Tutelar com graves problemas estruturais

Ação civil pública com pedido de liminar foi movida pelo promotor Marco Aurélio Amado após inspeção da operação estadual "MP Vai ao CT" flagrar falhas que comprometem o atendimento a crianças e adolescentes.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
20 de maio, 2026 · 15:34 3 min de leitura
Fachada de Conselho Tutelar com placa institucional em município baiano
Fachada de Conselho Tutelar com placa institucional em município baiano
PI 637

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) recorreu à Justiça para obrigar o município de Laje, no Vale do Jiquiriçá, a dar condições mínimas de funcionamento ao Conselho Tutelar local. A ação civil pública, protocolada com pedido de liminar no dia 14 de maio, foi proposta pelo promotor de Justiça Marco Aurélio Nascimento Amado e tem como base uma inspeção realizada na unidade no dia 4 de maio.

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A vistoria integrou a operação estadual "MP Vai ao CT", iniciativa que, segundo informações divulgadas pelo portal Voz da Bahia, mobilizou o Parquet baiano para avaliar os Conselhos Tutelares em diferentes municípios. O MP-BA iniciou a operação com fiscalização simultânea em todos os 445 Conselhos Tutelares do estado, mobilizando 214 promotores de Justiça acompanhados de servidores.

O objetivo foi verificar as condições reais de funcionamento dos Conselhos, incluindo estrutura física, quadro de pessoal, uso de sistemas de informação e articulação com a rede de proteção — tudo dentro do projeto "Infância em Primeiro Lugar". Em Laje, o resultado da inspeção foi alarmante.

Segundo a ação, o Conselho Tutelar do município não tem salas reservadas para atendimentos individualizados nem espaços administrativos adequados para os conselheiros. O imóvel apresenta problemas de conservação e condições consideradas inadequadas de higiene, ventilação, iluminação, privacidade e segurança. A unidade também não oferece acessibilidade para pessoas com deficiência.

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Outro ponto destacado pelo MP-BA é que o Conselho Tutelar funciona dentro de uma escola — situação que, de acordo com o órgão, compromete a autonomia e a independência das atividades da instituição. Além disso, foram registradas falhas no preenchimento do Sistema de Informação para Infância e Adolescência (Sipia), ferramenta federal usada para registrar e acompanhar os atendimentos dos conselheiros.

A ação também aponta a falta de equipamentos básicos, internet inadequada, mobiliário insuficiente e ausência de programas de capacitação continuada para os profissionais. O MP-BA ainda cobra atualização da legislação municipal conforme as normas da Resolução nº 231/2022 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

Na prática, o promotor pede que a Justiça determine ao município a entrega de um imóvel próprio e adequado, com salas específicas para atendimento ao público, espaços administrativos, acessibilidade e estrutura para acolhimento infantil. A lista de demandas inclui ainda computadores com internet de alta velocidade, impressoras, mobiliário completo, telefone e um veículo para diligências externas.

A obrigatoriedade do uso rotineiro do Sipia para registro de todos os atendimentos, sob pena de falta funcional, é um dos pontos destacados pelos promotores da Bahia nas ações decorrentes da operação. Em Laje, as falhas nesse sistema foram um dos elementos que embasaram o pedido judicial.

O MP-BA também exige que a administração municipal apresente, em até 180 dias, um relatório detalhado com as medidas adotadas e a previsão orçamentária para as melhorias. Os Conselhos Tutelares são órgãos municipais permanentes e autônomos, responsáveis por zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Quando mal estruturados, esses órgãos perdem capacidade de resposta justamente nos casos mais urgentes de violação de direitos.

A ação de Laje não é caso isolado. O MP-BA também instaurou procedimentos administrativos para monitorar os Conselhos Tutelares de Potiraguá e Itarantim, em ações formalizadas que integram a mesma iniciativa "MP vai ao CT", vinculada ao projeto "Infância em Primeiro Lugar". A tendência é que irregularidades identificadas em outras unidades gerem novas ações judiciais nas próximas semanas.

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