Na manhã desta sexta-feira (30), moradores da localidade do Socorro, uma comunidade vibrante que se localiza entre as cidades de Candeias e Madre de Deus, na Bahia, tomaram uma medida drástica. Eles bloquearam parcialmente a movimentada rodovia BA-522, uma artéria vital da Região Metropolitana de Salvador (RMS), para levantar a voz contra a empresa Acelen.
O protesto, que trouxe lentidão ao tráfego de veículos na região, é um grito de socorro. Os manifestantes acusam a Acelen, empresa de energia que hoje administra a Refinaria de Mataripe, em São Francisco do Conde, na Bahia, de tentar tirá-los de suas casas. A refinaria, um dos maiores complexos industriais do Nordeste, foi privatizada em 2021, passando para a gestão da Acelen, e desde então a tensão entre a empresa e a comunidade local parece ter crescido.
Comunidade clama por ajuda do Governo do Estado
Com cartazes que expressavam indignação e frases de repúdio, o grupo de moradores do Socorro deixou claro seu descontentamento. Eles pedem, de forma urgente, a intervenção do Governo do Estado da Bahia. O objetivo é que as autoridades estaduais atuem como mediadoras para que o direito à moradia dessas famílias seja assegurado e que a Acelen reavalie suas ações, impedindo que as pessoas sejam desalojadas.
A BA-522, que conecta importantes municípios da RMS, sentiu o impacto da mobilização popular. O bloqueio parcial não apenas gerou filas e atrasos para os motoristas, mas também cumpriu seu papel de chamar a atenção para a pauta. Para os moradores, essa é a única forma de serem ouvidos diante de uma situação que eles descrevem como um assédio para que deixem suas propriedades.
A Refinaria de Mataripe, sob a gestão da Acelen, é um ativo econômico importante para a Bahia. No entanto, o embate com as comunidades vizinhas ressalta a necessidade de um diálogo transparente e de políticas de desenvolvimento que considerem o bem-estar social. A privatização de grandes estruturas industriais, como a refinaria em 2021, muitas vezes levanta questões sobre o impacto direto nas populações que vivem no entorno.
Agora, todos os olhares se voltam para o Palácio de Ondina, sede do governo baiano. Os moradores esperam que o Estado da Bahia entre em cena para proteger suas famílias e garantir que a expansão ou operação de empresas como a Acelen não aconteça às custas da moradia e da dignidade de quem vive na região há anos.







