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Política

Militarização do governo Bolsonaro sinalizava golpe, diz pesquisador

Estudo mostra que ex-presidente teve 40% dos ministérios com militares e 6.157 fardados no Executivo

Redação ChicoSabeTudo
30 de agosto, 2026 · 06:35 2 min de leitura

O cientista político Octavio Amorim Neto, professor da FGV, afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro deu indícios de que tentaria um golpe de Estado ao concentrar militares em seu governo. A análise está em livro escrito com Igor Acácio e publicado pela editora britânica Palgrave Macmillan, sobre a relação entre presidentes e Forças Armadas.

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Segundo a obra, Bolsonaro chegou a ter 40% dos ministérios ocupados por pessoas com origem nas Forças Armadas. No total, o governo somou 6.157 militares distribuídos pelo Executivo federal, número maior do que o registrado na gestão de João Figueiredo, último presidente do regime militar iniciado em 1964.

"Encher um governo democrático de militares é um sinal muito claro do que vai acontecer mais adiante —e aconteceu no Brasil", disse Amorim Neto à Folha de S.Paulo.

O pesquisador afirma que a movimentação seguiu um padrão observado pela ciência política. "Não foi surpresa para a comunidade de ciência política quando, após militarizar pesadamente seu governo, ameaçar o Congresso e depois ameaçar o Judiciário, Bolsonaro tentou por último um golpe militar", declarou.

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O ex-comandante da Força Aérea Brasileira, Carlos Baptista Junior, já havia contado à Folha que, no fim de 2022, Bolsonaro tentou convencer os comandantes das Forças Armadas a participarem de um golpe para reverter a vitória de Lula (PT) nas eleições daquele ano.

Para Amorim Neto, os militares aceitaram participar do governo Bolsonaro de forma deliberada. "Os militares embarcaram muito conscientemente na aventura política representada pelo governo Bolsonaro —e se arrependeram profundamente depois", afirmou.

O livro também cita outros exemplos históricos de presidentes de direita que aumentaram a presença militar no governo e não completaram o mandato, como Jânio Quadros e Fernando Collor. Em contraste, Fernando Henrique Cardoso criou, em seu segundo mandato, o Ministério da Defesa comandado por um civil e extinguiu os antigos ministérios militares. Já Michel Temer voltou a colocar um militar à frente da pasta.

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A pesquisa relaciona ainda o enfraquecimento dos partidos políticos brasileiros ao ciclo iniciado com as manifestações de junho de 2013, durante o governo de Dilma Rousseff.

O tema volta a ganhar relevância no cenário eleitoral de 2026. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, é hoje o candidato do campo de direita com melhor desempenho nas pesquisas para a Presidência. Ele afirmou que, se eleito, a primeira medida de seu governo será propor anistia aos investigados pelos atos golpistas de 2022 e 2023, e que subirá a rampa do Palácio do Planalto ao lado de Jair Bolsonaro.

A entrevista foi publicada na edição impressa da Ilustríssima, suplemento da Folha de S.Paulo, em 29 de agosto de 2026, por João Gabriel de Lima, doutorando em política comparada pela Universidade de Lisboa e repórter colaborador do jornal.

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