O avanço das articulações nacionais dentro do PSD começa a revelar fissuras regionais que podem limitar a construção de uma candidatura própria ao Palácio do Planalto. Embora o governador do Paraná, Ratinho Júnior, tenha sinalizado disposição para entrar na disputa presidencial, o projeto encontra resistência em estados onde o partido já possui compromissos consolidados com outros campos políticos.
Na Bahia, esse cenário é explícito. A direção estadual da legenda decidiu manter o alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seguir integrada à base do governador Jerônimo Rodrigues. A escolha reafirma uma estratégia local que privilegia a continuidade das alianças e a estabilidade política, mesmo diante das movimentações nacionais da sigla.
O senador Otto Alencar, principal liderança do PSD baiano, deixou claro que não há espaço para revisão desse acordo. Segundo ele, o apoio ao presidente é histórico e não seria desfeito apenas pela eventual entrada de um correligionário na corrida presidencial. A posição reforça a autonomia dos diretórios estaduais e evidencia os limites da condução centralizada das decisões eleitorais.
A permanência do PSD no campo governista ocorre mesmo em meio às negociações para a formação de uma chapa majoritária ao Senado composta por nomes do PT, o que tende a excluir um parlamentar da própria sigla. Ainda assim, a avaliação interna é de que o rearranjo não compromete a aliança nem provoca rupturas relevantes.
Nos bastidores, dirigentes reconhecem que situações semelhantes se repetem em outros estados estratégicos, especialmente no Nordeste e no Sudeste, onde acordos locais já estão firmados. Nesse contexto, a disposição de Ratinho Júnior em assumir um protagonismo nacional surge mais como um gesto político do que como uma candidatura plenamente viável, ao menos neste momento.







