O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou nesta quarta-feira a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). A mensagem com o nome do escolhido já foi enviada ao Senado Federal.
Apesar do passo importante para preencher a vaga na Corte, o clima em Brasília azedou. Durante entrevista no Ceará, Lula disparou críticas contra a postura dos parlamentares, afirmando que um senador com mandato de oito anos "pensa que é Deus" e pode causar problemas ao governo.
A fala caiu como uma bomba entre os congressistas e pode dificultar a aprovação de Messias. O nome agora precisa passar pelo crivo da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador baiano Otto Alencar, antes de seguir para votação no plenário.
A oposição aproveitou a declaração para reforçar a resistência ao indicado. O senador Hamilton Mourão afirmou que a fala de Lula demonstra falta de espírito democrático e pode aumentar a rejeição ao nome de Jorge Messias entre os colegas.
Até mesmo parlamentares da base e de centro demonstraram desconforto. Nos bastidores, a avaliação é de que o comentário foi desnecessário e aconteceu no pior momento possível, justamente quando o governo precisa de votos para garantir o novo ministro no STF.
Por outro lado, o senador baiano Angelo Coronel tentou minimizar o impacto. Para ele, o perfil de Messias é independente e a polêmica em torno da frase de Lula não deveria interferir diretamente na avaliação técnica do candidato à vaga no Supremo.







