O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma declaração forte sobre seu filho, Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, em uma entrevista exclusiva ao site Uol nesta quinta-feira (5). Segundo Lula, se Lulinha tiver qualquer participação nas fraudes e no escândalo do INSS, ele “vai pagar o preço”.
A fala do presidente surge em um momento de questionamentos por parte de parlamentares da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que buscam convocar Lulinha para prestar esclarecimentos. As denúncias que circulam envolvem a suposta ligação do filho de Lula com o “Careca do INSS” e o recebimento de uma mesada de R$ 300 mil.
Lula contou na entrevista que, assim que o nome de seu filho veio à tona nas investigações, ele chamou Lulinha para uma conversa séria. O presidente quis saber a verdade diretamente do filho, reafirmando que as consequências seriam inevitáveis caso houvesse culpa.
“Quando saiu o nome do meu filho, eu chamei meu filho aqui. Olhei no olho do meu filho e disse: 'Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda'”, revelou Lula.
Além da questão envolvendo o INSS, o presidente também abordou outras irregularidades. Ele foi questionado sobre os problemas com o Banco Master, que acabaram levando à liquidação da instituição. Lula lembrou que, ao tomar conhecimento das dificuldades do banco, agiu rapidamente.
Ele convocou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, para discutir a situação e a conduta do banqueiro Daniel Vorcaro. Lula enfatizou que todos os envolvidos em fraudes precisam responder pelos seus atos.
“Nós vamos investigar até as últimas consequências”, garantiu o presidente, destacando que as irregularidades podem se tornar o maior escândalo financeiro do país e que até mesmo parlamentares podem estar envolvidos no esquema que levou à liquidação do Master. “Vamos a fundo nesse negócio [o escândalo do Banco Master]. Queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro, do estado do Amapá, colocaram dinheiro do fundo dos trabalhadores nesse banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Master e o BRB? Quem está envolvido?”, questionou o petista.
Por fim, Lula defendeu a atuação do seu ex-ministro Ricardo Lewandowski. O presidente disse não ver problema no fato de o escritório de advocacia da família de Lewandowski ter sido contratado pelo Banco Master. Ele destacou a competência do ex-ministro.
Segundo Lula, Ricardo Lewandowski é um dos maiores juristas do Brasil, e é comum que grandes empresas em dificuldade contratem advogados renomados. Ele pontuou que, quando Lewandowski foi convidado para o ministério, ele se desligou do banco, indicando que não houve conflito de interesses.







