A deputada federal Lídice da Mata (PT) defendeu, nesta quinta-feira (12), o governo Lula de tentativas de associá-lo ao escândalo do Banco Master. A parlamentar falou com a imprensa em Salvador, na Bahia, antes da abertura oficial do Carnaval, e aproveitou para rebater as acusações que sugerem vínculos do governo federal com o caso.
Para Lídice da Mata, a tentativa de vincular o atual governo e até mesmo o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao caso é uma clara "forçação de barra". A deputada apontou que, ao analisar a quantidade de pessoas envolvidas, há mais indivíduos com ligação ao bolsonarismo do que com o governo Lula.
"Acho que se for olhar do ponto de vista quantitativo, tem muito mais gente envolvida do lado, identificada com o lado do bolsonarismo do que com o lado do governo [Lula]. Querer colocar alguma relação entre governo e até as acusações que são feitas ao [ministro Dias] Toffoli é uma forçação de barra, porque o ministro já é um ministro do STF há muito tempo e sem nenhuma vinculação mais com partidos ou com o governo. Já enfrentou o governo, inclusive, já ficou com outro governo", declarou Lídice da Mata.
Investigações fortalecem a democracia, diz deputada
A deputada também comentou sobre a importância das investigações em andamento e o impacto positivo que elas trazem para o Brasil. Segundo ela, a apuração de escândalos como o do Banco Master é um sinal de amadurecimento das instituições e da própria democracia brasileira.
"O interessante é compreender que a democracia brasileira é incipiente, mas ela vai amadurecendo. Toda vez que a gente consegue que um escândalo desse apareça para a população, seja rejeitado pela população, é a democracia que se fortalece", afirmou.
Lídice da Mata ainda fez uma ressalva importante sobre a relação entre agentes econômicos e políticos. Ela explicou que é comum, tanto no Brasil quanto no mundo, que pessoas com poder econômico transitem e conversem com figuras políticas, o que por si só não configura irregularidade.
"É da cultura brasileira e até mundial que, quem tem o poder econômico, circule no poder político com muita naturalidade e fala com todo mundo, janta com todo mundo, toma café com todo mundo, e isso é natural. Então, qualquer contato não pode ser considerado como indício de qualquer tipo de atividade negativa, o que tem que investigar é aqueles que têm algum indício de ter promovido, participado, ajudado a acontecer esse escândalo do banco Master", pontuou a deputada.
Entenda o caso do Banco Master e o ministro Toffoli
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 (nota: ano conforme o texto-base), após a descoberta de diversas irregularidades financeiras. Entre os problemas identificados, estava a comercialização de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que prometiam retornos exorbitantes, chegando a 140% do CDI. O banco não conseguia cumprir seus compromissos no vencimento desses investimentos, o que levou à prisão de seu proprietário, Daniel Vorcaro.
Em relação às menções envolvendo seu nome, o ministro Dias Toffoli divulgou uma nota pública também nesta quinta-feira (12). Por meio de seu gabinete no Supremo Tribunal Federal (STF), ele negou veementemente qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro.
A nota do ministro também esclareceu sua sociedade na empresa Maridt. Segundo informações divulgadas pela jornalista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o celular de Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal, continha mensagens sobre uma operação de 2021 em que a Maridt vendeu sua participação no resort Tayayá para um fundo de investimentos ligado aos negócios de Vorcaro. Toffoli reiterou que não há irregularidade em sua participação societária anterior e que não tem qualquer vínculo com as investigações atuais do Banco Master.







