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Política

Justiça do Maranhão manda tirar nome de médico eugenista de hospital

Justiça do Maranhão anula nome de hospital que homenageava médico eugenista, citando violação de moralidade e dignidade humana. IML de Salvador também leva o nome.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
23 de janeiro, 2026 · 17:27 2 min de leitura
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A Justiça do Maranhão deu uma decisão importante ao anular o ato que dava o nome de “Hospital Nina Rodrigues” a uma unidade de saúde mental do estado. A homenagem era para o médico Raimundo Nina Rodrigues, figura conhecida por suas ideias eugenistas no Brasil. É bom lembrar que o Instituto Médico Legal (IML) de Salvador, na Bahia, também carrega o nome dele.

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A decisão veio do juiz Douglas de Melo Martins, da vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, no Maranhão. Ele explicou que homenagear Nina Rodrigues vai contra a moralidade da administração pública e contra valores essenciais da nossa Constituição, como a igualdade e a dignidade de todas as pessoas. As teorias de Nina Rodrigues, que hoje são vistas como racistas e discriminatórias, defendiam que existiam diferenças mentais entre as raças, propondo um tratamento distinto para negros, indígenas e mestiços.

Entenda a controvérsia eugenista

Raimundo Nina Rodrigues fez parte de sua formação em Medicina na Universidade Federal da Bahia (UFBA). No entanto, suas teses sobre “raças” e “constituição mental” foram amplamente rejeitadas pela comunidade científica. A eugenia, em resumo, é uma pseudociência que buscava “melhorar” a raça humana, muitas vezes através de métodos de controle social e discriminação contra grupos minoritários ou considerados “inferiores”. É um conceito perigoso que levou a muitas injustiças ao longo da história.

O Estado do Maranhão chegou a argumentar que a ação para mudar o nome do hospital estaria fora do prazo legal, já que a nomeação teria acontecido na década de 1940. Eles citaram o prazo de cinco anos previsto em uma lei de 1965 para questionar atos administrativos. Mas essa defesa não foi aceita pela Justiça.

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“O entendimento foi claro: trata-se de um ato com efeitos que duram para sempre. A lesividade dessa homenagem se renova a cada dia, afetando a dignidade e a igualdade que tanto valorizamos”, destacou a decisão.

Com a anulação do nome do hospital, a Justiça reafirma o compromisso com os direitos humanos e a rejeição a qualquer forma de discriminação. A decisão abre um debate importante sobre a necessidade de reavaliar outras homenagens públicas que possam ir de encontro aos valores democráticos e de respeito à diversidade que a sociedade busca.

Este caso no Maranhão traz à tona a discussão sobre a memória e o reconhecimento de figuras históricas, especialmente quando suas ideias são incompatíveis com os princípios de uma sociedade justa e igualitária. A retirada do nome do Hospital Nina Rodrigues é um passo significativo nesse sentido.

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