Os empresários Joesley e Wesley Batista, conhecidos por liderarem o gigante grupo J&F no Brasil, teriam expandido seus negócios para além do agronegócio e da indústria alimentícia. Desde 2024, os irmãos são apontados como proprietários de poços de petróleo na Venezuela, um movimento que marca a entrada da J&F no setor de exploração petrolífera do país vizinho.
A operação, segundo informações divulgadas pela BP Money, parceira do Bahia Notícias, tem sido conduzida de forma bastante discreta. Até o momento, não foram revelados detalhes importantes como o volume de petróleo produzido, os parceiros locais envolvidos no empreendimento ou as projeções financeiras esperadas para o negócio. Essa falta de transparência, conforme a reportagem, é atribuída a um sigilo diplomático imposto pelo Itamaraty sobre todas as comunicações e assuntos oficiais relacionados ao tema.
A investida no mercado petrolífero venezuelano não é o único elo dos irmãos com o país. Joesley Batista esteve em Caracas em novembro do ano passado, em uma visita que, aparentemente, ultrapassou as fronteiras estritamente empresariais. Durante sua estadia, ele foi recebido pelo presidente Nicolás Maduro, um encontro significativo em meio a um período de forte tensão e incerteza no cenário político internacional, especialmente envolvendo a Venezuela.
Relatos de pessoas próximas indicaram que, durante o encontro com Maduro, Joesley teria tentado convencer o líder venezuelano a deixar o poder. A sugestão viria como uma medida preventiva contra uma possível intervenção dos Estados Unidos ou do governo de Donald Trump, similar a eventos que ocorreram anteriormente. Essa relação direta e o acesso ao presidente Maduro são vistos como uma prova da influência e do prestígio de Joesley Batista no ambiente político e econômico.
O investimento do grupo J&F na Venezuela é interpretado como uma estratégia para aumentar a exposição da empresa a um ambiente de elevada incerteza institucional. Além disso, a presença no país e as informações obtidas através dessa operação poderiam ser cruciais para o mercado, analistas e autoridades de controle. A aposta em um cenário complexo como o venezuelano reflete uma ousadia do grupo em busca de oportunidades em mercados de alto risco e potencial.
Enquanto a operação dos poços de petróleo se mantém sob o véu do sigilo diplomático, a presença de um dos maiores grupos empresariais brasileiros em um setor tão estratégico e sensível na Venezuela levanta questões sobre os desdobramentos futuros e o impacto dessa movimentação no cenário econômico e político regional.







