A eleição da deputada trans Erika Hilton (Psol-SP) para presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara gerou uma forte reação. Um grupo de 28 deputadas, a maioria da oposição, apresentou um projeto para tentar tirá-la do cargo.
A proposta quer mudar o regimento interno da Câmara para uma coisa bem específica: obrigar que a presidência e a vice-presidência da comissão sejam ocupadas apenas por deputadas do sexo feminino, ou seja, mulheres que nasceram com o sexo biológico feminino.
Segundo o texto do projeto, a liderança da comissão deve ser de quem "compartilha da experiência biológica e social de ser mulher, desde o nascimento". As deputadas que assinaram o documento citam questões como menstruação, gravidez e violência doméstica como exclusivas dessa experiência.
Além da tentativa de mudar a regra no papel, as parlamentares contrárias a Erika Hilton prometem fazer barulho. Estão marcados protestos na própria comissão e nos corredores da Câmara para esta semana, mostrando que a briga está longe de acabar.
Enquanto a polêmica corre solta, Erika Hilton já marcou sua primeira reunião no comando do grupo e não parece disposta a recuar. A pauta tem 14 itens para serem discutidos, mostrando que o trabalho já começou.
Entre os assuntos que ela quer debater, está um convite para a Ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, falar sobre o combate ao feminicídio. Outro ponto é um pedido de investigação sobre um jogo com conteúdo misógino criado por alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).







