A solenidade que lembra a invasão dos Três Poderes em Brasília, no Distrito Federal, começou nesta quinta-feira (8) sob um clima de forte manifestação. Gritos de “sem anistia”, vindos dos convidados presentes no Palácio do Planalto, ecoaram logo no início do evento, que busca reforçar a defesa da democracia brasileira.
Apesar da numerosa presença de ministros, autoridades do governo e membros de movimentos sociais, o evento foi notado pelas ausências de figuras-chave do cenário político nacional. Nem o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), nem o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), compareceram. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) também não esteve presente, gerando questionamentos sobre a união dos poderes neste marco.
O que aconteceu há um ano e quem esteve presente
Há exatamente um ano, em 8 de janeiro de 2023, as sedes do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal foram invadidas e depredadas em um ataque sem precedentes à democracia. A cerimônia desta quinta-feira teve o propósito de relembrar os acontecimentos e reafirmar o compromisso com as instituições democráticas.
No palanque principal, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estavam importantes nomes do governo, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a primeira-dama Janja e ministros como Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Guilherme Boulos (Secretaria Geral) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação).
Mesmo com a reduzida participação de parlamentares, líderes do governo no Congresso, como Jaques Wagner (PT) no Senado, José Guimarães (PT) na Câmara, e Randolfe Rodrigues (PT) no Congresso, marcaram presença. Alguns governadores também participaram, entre eles Jerônimo Rodrigues, da Bahia; Elmano de Freitas, do Ceará; e Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte.
Discurso de Lewandowski e o futuro no Ministério da Justiça
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, foi o primeiro a discursar no evento. Ele usou sua fala para destacar a gravidade dos acontecimentos de 8 de janeiro e a atuação das instituições na defesa do regime democrático.
“Embora as nossas instituições tenham, a muito custo, conseguido debelar a intentona, é preciso ter sempre em mente a célebre advertência de Thomas Jefferson: o preço da liberdade é a eterna vigilância. A solenidade de hoje, que vem sendo repetida todos os anos, tem justamente este propósito, de recordar a todos que é preciso permanecer unidos e vigilantes em defesa de nossa liberdade, a duras penas resgatadas”, disse Lewandowski.
Ao final de seu discurso, Lewandowski recebeu um abraço afetuoso do presidente Lula. Em Brasília, circula a especulação de que o ministro estaria aguardando a conclusão do evento de 8 de janeiro para formalizar seu pedido de exoneração do cargo, um movimento que vem sendo comentado nos bastidores políticos.







