A construtora Gafisa, que tem o investidor Nelson Tanure como um de seus acionistas, está no centro de uma grave acusação judicial. Credores afirmam que a empresa se uniu ao Banco Master para criar uma estrutura de fachada com o objetivo de esconder patrimônio e não pagar dívidas acumuladas há anos.
O caso ganhou força com a denúncia da Polo Securitizadora, que tenta receber R$ 24 milhões da construtora. Mesmo com ordens judiciais de penhora, a empresa só conseguiu recuperar pouco mais de R$ 800 mil em três anos, o que levantou suspeitas sobre onde estaria o dinheiro da Gafisa.
A investigação aponta que o esquema utilizaria o fundo Bergamo, que pertence totalmente à Gafisa e tinha patrimônio declarado de R$ 129 milhões. Quando a Justiça autorizou a penhora desse fundo, o Banco Master entrou na disputa para impedir o bloqueio, alegando que os ativos já estavam garantidos para o banco.
A situação se complica com o envolvimento de nomes conhecidos da polícia. O fundo era gerido por Maurício Quadrado, investigado na Operação Compliance Zero. Além disso, o advogado Daniel Lopes Monteiro, preso sob suspeita de operar para o dono do Banco Master, atuou no processo para travar o pagamento aos credores.
Nelson Tanure já havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal em 2025 por operações consideradas fraudulentas. Agora, a Justiça analisa se a relação entre a construtora e o banco foi montada apenas para blindar os bens contra quem tem dinheiro a receber.
Em nota, a defesa do advogado Daniel Lopes Monteiro afirmou que sua atuação sempre foi técnica e que o processo em questão é apenas mais um entre os milhares defendidos pelo seu escritório.







