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Política

EUA e aliados rejeitam relatório da ONU sobre futuro ambiental sombrio

Um importante estudo da ONU que alerta sobre os perigos do consumo insustentável foi publicado sem aval de governos como EUA, Arábia Saudita e Rússia, após rejeição de suas conclusões.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
10 de dezembro, 2025 · 03:45 2 min de leitura
Entidade alerta para um futuro bem pior (Imagem: shutterstock/JAAL0221)
Entidade alerta para um futuro bem pior (Imagem: shutterstock/JAAL0221)

Um dos mais importantes estudos científicos da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o estado do nosso planeta foi publicado recentemente sem a tradicional aprovação dos governos. Isso aconteceu após um grande desacordo envolvendo países como Estados Unidos, Arábia Saudita e Rússia, que se recusaram a aceitar algumas das conclusões centrais do documento.

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O relatório, chamado Global Environment Outlook (GEO), levou seis anos para ser elaborado por quase 300 cientistas do mundo todo. Ele faz uma conexão direta entre as mudanças climáticas, a perda de diferentes espécies (biodiversidade) e a poluição, e os padrões de consumo que não conseguimos sustentar, especialmente nas economias mais ricas e nas que estão em crescimento.

Um Alerta Grave: Futuro Sombrio sem Mudanças

O GEO não poupa alertas, prevendo um “futuro sombrio” para a humanidade se não fizermos uma transição rápida. Isso significa deixar de lado o uso intensivo de carvão, petróleo e gás, e também cortar significativamente os subsídios que incentivam a produção de combustíveis fósseis e a agricultura em larga escala. O estudo enfatiza que a forma como consumimos hoje está levando o planeta a um colapso climático.

“Essas nações ‘sequestraram’ o processo ao rejeitar conclusões centrais da pesquisa, que levou seis anos para ser elaborada.”, disse Sir Robert Watson, copresidente do estudo, à BBC.

A reunião que deveria selar o consenso aconteceu em Nairóbi, no Quênia. Representantes de cerca de 70 países estavam lá para negociar o “resumo para formuladores de políticas”, um documento padrão que acompanha relatórios da ONU e serve para guiar ações governamentais. No entanto, o acordo não foi possível.

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Os Estados Unidos, que se juntaram às negociações por videoconferência em um estágio já avançado, foram um dos principais entraves. O país rejeitou trechos importantes do relatório que falavam sobre combustíveis fósseis, plásticos e a proteção da biodiversidade.

Cientistas Mantêm Posição, Relatório Perde Força Política

Diante da pressão para diluir as conclusões, os cientistas envolvidos no GEO se recusaram a suavizar os resultados de suas pesquisas. Por causa dessa firmeza e da falta de consenso dos governos, o documento foi publicado sem o resumo que daria força política às suas recomendações.

Essa resistência dos países, que já foi vista em outras discussões globais como a COP30, onde houve tentativas de remover referências à necessidade de abandonar os combustíveis fósseis, levanta sérias preocupações. Pesquisadores temem que o episódio possa afetar o futuro de outros relatórios cruciais, como os do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), que são fundamentais para criar estratégias globais de combate ao aquecimento do planeta. A recusa em aceitar essas conclusões frustra anos de trabalho científico e coloca em risco a capacidade de ação coordenada contra a crise ambiental.

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