O governo da Espanha anunciou uma investigação formal contra a Meta, empresa proprietária do Facebook e Instagram, por supostas violações de privacidade no que se refere à coleta de dados de usuários. A decisão foi revelada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, que destacou que o país não irá tolerar abusos cometidos por grandes plataformas tecnológicas.
Sánchez afirmou, em comunicado, que "na Espanha, a lei está acima de qualquer algoritmo", ressaltando que empresas que infringirem direitos fundamentais serão responsabilizadas legalmente. Essa postura reforça a insistência do governo em proteger a privacidade dos cidadãos diante da crescente influência das big techs.
A investigação surge após um relatório internacional que identificou um sistema oculto para monitoramento da navegação de usuários utilizando dispositivos Android. Segundo o gabinete de Sánchez, esse mecanismo pode contrair normas da União Europeia, incluindo o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) e a Diretiva ePrivacy.
A Meta, por sua vez, disse que irá colaborar com as autoridades espanholas e destacou que oferece ferramentas de controle de privacidade aos seus usuários. A empresa está programada para depor diante de uma comissão da Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre as acusações.
A investigação coincide com um período tenso nas relações entre a Espanha e os Estados Unidos, acentuada por críticas sobre os gastos espanhóis na OTAN e uma aproximação com a China. Além disso, a Meta já enfrenta desafios com a Comissão Europeia, tendo sido multada em 798 milhões de euros em 2024 por práticas que favoreciam o Facebook Marketplace.
O desenrolar dessa investigação pode aumentar as tensões entre os governos europeu e norte-americano, ao mesmo tempo em que reativa o debate sobre o controle das empresas de tecnologia na sociedade atual.







