Um processo judicial que parece não ter fim completa quase quatro décadas de tramitação no Tribunal de Justiça da Bahia. A ação, que envolve a demarcação da Fazenda Santa Aparecida, em Palmas de Monte Alto, coloca em lados opostos herdeiros rurais e figuras conhecidas da política baiana, como o ex-governador Nilo Coelho.
O caso é histórico por ser o registro número 0000001 da comarca local. Iniciado em 1987, o litígio discute a divisão de uma área estratégica de aproximadamente 4.500 hectares. Enquanto a decisão final não sai, o tempo cobra seu preço: Nilo Coelho já tem 85 anos e um dos empresários envolvidos no início da ação faleceu no curso do processo.
A briga jurídica gira em torno de possíveis irregularidades em registros de imóveis. A defesa dos autores alega que escrituras foram feitas em cidades vizinhas, como Carinhanha e Malhada, ignorando que as terras pertencem à jurisdição de Palmas de Monte Alto. O advogado Alex Santhiago aponta que essas falhas na documentação travam a resolução do conflito.
Além da confusão com os papéis, o processo sofre com a lentidão administrativa. Recentemente, em dezembro de 2025, uma ordem judicial para ouvir o Ministério Público ficou parada porque a secretaria do tribunal não enviou a intimação necessária, deixando o caso estagnado por falhas internas.
A situação já foi levada à Corregedoria do TJ-BA. Os advogados pedem uma apuração rigorosa sobre a demora excessiva, argumentando que a lentidão fere o direito das partes de terem uma solução em tempo razoável. Para a defesa, o caso virou uma questão humanitária devido à idade avançada dos envolvidos.
Até o momento, não há previsão de quando o primeiro processo da história de Palmas de Monte Alto terá um desfecho definitivo. Enquanto isso, a Fazenda Santa Aparecida segue no centro de uma das disputas de terra mais longas e emblemáticas do interior baiano.







