O deputado federal Delegado Fabio Costa (PP-AL) veio a público cobrar uma resposta firme do governo de Alagoas depois de receber imagens que mostram uma mulher sendo espancada em Maribondo, município do interior alagoano. Segundo o parlamentar, a agressão teria sido aplicada como forma de punição por integrantes do Comando Vermelho (CV).
Para Fabio Costa, o episódio é um sinal de alerta sobre a mudança no perfil da violência no estado. Cidades do interior que historicamente registravam baixos índices de criminalidade estão, segundo ele, sendo alcançadas pelo domínio de facções criminosas organizadas. Maribondo, município com relevância para o comércio regional e para o agronegócio, figura nesse cenário de preocupação.
O parlamentar dirigiu críticas diretas ao governador Paulo Dantas e à gestão da segurança pública estadual. Na avaliação de Fabio Costa, o Estado precisa reforçar ações de inteligência, investigação e presença policial para impedir a consolidação de estruturas paralelas de poder nas comunidades alagoanas.
As denúncias do deputado sobre o avanço do CV no interior de Alagoas não são isoladas. Maribondo voltou a aparecer nas páginas policiais recentemente: as forças de segurança de Alagoas prenderam Glauber Campos Santos, conhecido como "Coringa" e "Orelha", apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção criminosa Comando Vermelho nos municípios de Maribondo e Arapiraca. As investigações revelam que Glauber tinha um histórico de violência, incluindo um caso notório de agressão a uma mulher, que gerou grande indignação na comunidade local.
O Comando Vermelho no estado tem como figura central o traficante conhecido como Nem Catenga. Com extensa ficha criminal, ele é apontado pelas autoridades como chefe do Comando Vermelho em Alagoas, facção originada nas penitenciárias do Rio de Janeiro nos anos 1970 e hoje espalhada por praticamente todo o país. Fabio Costa já havia denunciado anteriormente contratos do governo estadual com empresas ligadas a familiares de Nem Catenga — acusação que o governo nega e que gerou embate público entre o parlamentar e a Secretaria de Segurança Pública.
O governo de Alagoas, por sua vez, apresenta números de operações como resposta às críticas. A SSP-AL deflagrou, no início de junho, a Operação Morro do Alemão, com o objetivo de desarticular uma rede ligada ao Comando Vermelho que atuava em Alagoas e em outros estados, com 51 mandados judiciais — sendo 21 de prisão e 30 de busca e apreensão. A série histórica de prisões por trimestre mostra trajetória de crescimento consistente entre 2022 e 2025, com pico de 389 prisões no primeiro trimestre de 2026, o maior registrado.
Mesmo diante dessas operações, o deputado sustenta que as ações são insuficientes para conter o avanço das facções fora da capital. Segundo ele, grupos organizados chegam até destinos turísticos e municípios do interior, colocando em risco moradores e visitantes, o que classifica como alarmante. Fabio Costa afirmou ainda que tem recebido relatos frequentes de ameaças e violência promovidas por organizações criminosas em diferentes cidades alagoanas, segundo informações divulgadas pela fonte original da notícia.
Formado em Direito e com trajetória na segurança pública e investigação criminal, Fabio Costa tornou-se um dos parlamentares mais ativos na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, da qual também exerceu a vice-presidência. O deputado usa esse histórico como credencial para pressionar o governo estadual e cobrar medidas concretas de proteção à população do interior alagoano.







