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Política

Deputado denuncia que Alagoas pagou teto por imóvel do Hospital do Idoso e exige transparência

Cabo Bebeto (PL) visitou o prédio e confrontou o governo com laudo da própria Seplag, que apontava valor 18% menor como opção mínima para a compra.

Redação ChicoSabeTudo
19 de junho, 2026 · 12:37 2 min de leitura
Fachada do imóvel onde funcionará o Hospital do Idoso em Maceió, Alagoas
Fachada do imóvel onde funcionará o Hospital do Idoso em Maceió, Alagoas

O deputado estadual Cabo Bebeto (PL) foi ao local onde deverá funcionar o futuro Hospital do Idoso, em Maceió, e fez um questionamento direto ao Governo de Alagoas: por que o Estado pagou o maior valor possível pelo imóvel, tendo em mãos um laudo que apresentava alternativas mais baratas?

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Segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto, a Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag) elaborou um laudo com três estimativas distintas para o imóvel: valor mínimo de aproximadamente R$ 18,7 milhões, valor médio de R$ 20,7 milhões e valor máximo de cerca de R$ 22,8 milhões. O Estado optou pelo teto da avaliação.

Dados levantados por outros veículos confirmam o valor pago: a indenização foi de R$ 22,8 milhões, pagos em uma única parcela. O prédio fica na Avenida Durval de Góes Monteiro, bairro Tabuleiro do Martins, em Maceió.

Para o parlamentar, a escolha pelo valor máximo exige explicação. Ele também criticou a agilidade do pagamento, contrastando com a morosidade do governo para reajustar salários de servidores públicos ou quitar valores já reconhecidos administrativamente — realidade que vai além de Alagoas e afeta categorias em todo o país.

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Além da questão financeira, Cabo Bebeto voltou a cobrar a entrega da obra, que acumula adiamentos. O hospital chegou a ter prazo de conclusão previsto para junho de 2026, mas a trajetória do projeto foi marcada por paralisações e disputas judiciais. Em fevereiro de 2025, o governador havia prometido a entrega do Hospital do Idoso até o final do ano, mas isso não ocorreu porque Estado e Município brigaram na Justiça por causa do licenciamento da obra.

A briga envolveu a proximidade do prédio a empresas de gás. A Prefeitura de Maceió alegou que lei municipal proíbe equipamentos desse tipo a menos de 500 metros de locais que armazenam ou processam produtos explosivos ou inflamáveis. A Justiça, no entanto, autorizou a retomada imediata das obras em caráter liminar.

Quando — e se — for entregue, a nova unidade hospitalar contará com 56 leitos, sendo 46 de internação e 10 de UTI, 11 consultórios, salas para exames de tomografia, raio-X, endoscopia e ultrassom, além de piscina para hidroterapia.

O projeto integra um pacote mais amplo de saúde pública estadual. O Hospital da Pessoa Idosa figura entre as principais obras do plano de investimentos do Governo de Alagoas para a Grande Maceió, que prevê a aplicação de R$ 5 bilhões em infraestrutura, mobilidade e saúde, abrangendo os 13 municípios afetados pelo desastre provocado pela Braskem.

A demanda pela unidade é real: segundo dados do IBGE de 2024, Alagoas conta com aproximadamente 409.225 idosos, o equivalente a 13,1% da população do estado. O que Cabo Bebeto questiona não é a necessidade do hospital — é a forma como o dinheiro público foi usado para viabilizá-lo.

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