A delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, promete sacudir Brasília, mas deve passar longe dos nomes de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Informações de bastidores indicam que, até o momento, o ex-banqueiro não apresentou provas que incriminem os dois políticos em seus depoimentos.
Preso desde o início de março na sede da Polícia Federal, Vorcaro está organizando suas revelações por setores. Enquanto poupa os principais nomes da disputa presidencial, o empresário prepara um capítulo explosivo sobre o Congresso Nacional, detalhando conexões com uma bancada formada por parlamentares de vários partidos.
O ex-banqueiro também separou um bloco exclusivo para tratar de negociatas e pagamentos de propina. Além dos políticos, a delação deve atingir em cheio o mercado financeiro, empresários e revelar novos personagens que atuavam em um esquema de lobby dentro do Banco Central.
Outro ponto sensível das declarações envolve o Judiciário. Existe um mistério sobre o que Vorcaro dirá a respeito de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e seus familiares. Caso surjam acusações graves, caberá ao próprio plenário da Corte decidir se abre ou não uma investigação interna.
A trama da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB também ganhará destaque. Segundo as informações colhidas, as revelações de Vorcaro podem complicar diretamente a situação de Ibaneis Rocha, ex-governador do Distrito Federal e atual candidato ao Senado.
Pessoas próximas ao empresário afirmam que ele pretende entregar todo o conteúdo ao ministro André Mendonça, do STF, em um prazo de 45 dias. O objetivo declarado por interlocutores do ex-banqueiro é que o resultado final da colaboração seja "positivo para o país".







