A população de Cuba vive dias mais escuros. Um bloqueio imposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos carregamentos de petróleo venezuelano, aliado a um sistema elétrico já bem antigo na ilha, fez com que a luz de cidades inteiras caísse drasticamente. Em grandes centros do leste cubano, como Santiago de Cuba e Holguín, a iluminação noturna diminuiu em até 50% em comparação com os anos anteriores.
Os problemas de energia não são novidade para os cubanos, mas a situação piorou em fevereiro. Antes disso, em dezembro do ano passado, uma falha na linha que leva energia de usinas em Matanzas para Havana já tinha causado apagões. No entanto, o verdadeiro golpe veio com a decisão de Trump de interromper o envio de combustível, que antes supria 60% dos cerca de 100 mil barris de petróleo bruto que Cuba precisa diariamente para gerar energia.
A mudança de cenário foi rápida e está ligada diretamente à política externa americana. Em 3 de janeiro, forças dos Estados Unidos prenderam Nicolás Maduro, então líder da Venezuela, em Caracas, levando-o para Nova York para responder a acusações de narcoterrorismo. Imediatamente, o ex-presidente Trump ordenou que o governo interino venezuelano, comandado pela chavista Delcy Rodriguez, cortasse todo o fornecimento de energia e dinheiro para os aliados em Havana. A Unión Eléctrica, responsável pela energia na ilha, confirmou que a queda no abastecimento coincide com a captura de Maduro, um dos principais parceiros de Cuba.
Havana se ilumina, mas periferias sentem a escuridão
As imagens de satélite analisadas pela Bloomberg News mostram que a queda na luz afetou mais as áreas rurais e as grandes cidades do que a capital, Havana. Por lá, que concentra indústrias, instalações militares e a sede do governo, a situação é um pouco diferente. O centro da cidade conseguiu manter a maior parte de suas luzes acesas, protegendo um quinto dos 10 milhões de habitantes do país.
É natural que o governo do presidente Miguel Díaz-Canel priorize a capital. Contudo, mesmo em Havana, os subúrbios de Cojímar e Alamar, por exemplo, estão bem mais escuros. Michael Bustamante, chefe do departamento de estudos cubanos da Universidade de Miami, explicou que a diferença entre a capital e outras regiões também pode refletir desigualdades de renda e adaptação tecnológica.
“Dadas as circunstâncias já precárias da rede elétrica, muitos cubanos encontraram maneiras de importar painéis solares. Mas essa não é necessariamente uma opção barata”, disse Bustamante, que acredita que Havana, por ser a parte mais rica da ilha, teria maior adesão a esses equipamentos. “Trata-se de um golpe muito significativo que sobrecarregará severamente uma rede elétrica já bastante pressionada.”
O sistema elétrico cubano é reconhecidamente antigo e as falhas são constantes. O bloqueio dos EUA veio para piorar uma realidade já desafiadora, deixando parte de Cuba no escuro e pressionando ainda mais a já frágil infraestrutura de energia do país.







