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Política

Crise Climática Pode Matar Milhões e Causar Prejuízo Trilionário, Alerta Pnuma

Novo relatório da ONU revela que a falta de ação contra a crise climática pode resultar em milhões de mortes e perdas financeiras trilionárias, exigindo mudanças urgentes em sistemas-chave para evitar um colapso.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
09 de dezembro, 2025 · 21:04 3 min de leitura
Imagem: Dennis MacDonald/Shutterstock
Imagem: Dennis MacDonald/Shutterstock

A inação global diante da crise climática e da crescente degradação do meio ambiente não é apenas um problema futuro, mas uma ameaça urgente que pode custar milhões de vidas e gerar prejuízos financeiros em uma escala nunca vista. Essa é a principal e alarmante conclusão da sétima edição do Panorama Ambiental Global (GEO7), um documento abrangente lançado nesta terça-feira (9) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em Nairóbi, no Quênia.

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O relatório, que reúne a mais completa avaliação científica sobre a saúde do nosso planeta, não poupa avisos. Segundo os especialistas, se as medidas necessárias não forem tomadas agora, o mundo enfrentará taxas de mortalidade altíssimas, um agravamento da pobreza e perdas financeiras tão grandes que podem abalar a economia mundial.

O Alto Preço da Inação

A diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, faz um alerta claro: o custo de não fazer nada é muito maior do que o de agir. “As mudanças climáticas já devem cortar 4% do PIB global até 2050”, explicou ela, destacando que essa porcentagem representa apenas uma parte do problema.

“O custo de não agir é ainda maior. As mudanças climáticas já devem reduzir 4% do PIB global até 2050, além de intensificar desastres que custam, em média, US$ 143 bilhões por ano”, afirma Inger Andersen.

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Além dos impactos nos desastres naturais, que já custam, em média, 143 bilhões de dólares por ano, as despesas com saúde também disparam. Em 2019, a poluição do ar foi responsável por 8,1 trilhões de dólares em perdas, e a exposição a substâncias tóxicas presentes em plásticos gera um custo adicional de 1,5 trilhão de dólares anuais. Esses números mostram que a falta de políticas ambientais eficazes tem um impacto direto e pesado na saúde e no bolso de todos.

O Caminho para a Mudança

Para evitar esse cenário desolador, o GEO7 aponta a necessidade de transformações profundas e urgentes. O documento destaca que essas mudanças não podem ser superficiais, mas precisam atingir cinco sistemas centrais da sociedade: finanças, economia, energia, materiais, alimentos e o próprio meio ambiente.

Robert Watson, cientista e copresidente da avaliação, enfatiza a urgência e a amplitude dessas ações. Ele afirma que a transformação deve ser “sem precedentes, integrada e rápida”, exigindo o envolvimento de todos os setores da sociedade e de todos os ministérios, e não apenas das pastas dedicadas ao meio ambiente.

“A transformação deve ser sem precedentes, integrada e rápida, exigindo participação de todos os setores da sociedade e de todos os ministérios — não apenas das pastas ambientais”, declarou Robert Watson.

A boa notícia é que essas medidas têm um enorme potencial para mudar vidas para melhor. O relatório estima que as ações propostas poderiam evitar cerca de 9 milhões de mortes prematuras que estão ligadas à poluição. Além disso, teriam o poder de tirar 200 milhões de pessoas da subnutrição e libertar 150 milhões da extrema pobreza.

Investimento Essencial com Retorno Promissor

Os investimentos necessários para essas mudanças são consideráveis: cerca de 8 trilhões de dólares por ano para alcançar emissões líquidas zero até 2050 e, ao mesmo tempo, proteger a biodiversidade do planeta. No entanto, os cientistas são categóricos: seguir o caminho proposto não é uma opção, mas uma necessidade inevitável.

Os benefícios econômicos não demorariam a aparecer. A partir de 2050, os retornos começariam a ser visíveis, crescendo até gerar impressionantes 20 trilhões de dólares anuais em 2070. Para que isso aconteça, o GEO7 sugere que os países deixem de usar o Produto Interno Bruto (PIB) como único indicador de progresso, adotando métricas que incluam a saúde das pessoas, o capital natural e os avanços em economia circular.

Este relatório, que reuniu 287 cientistas de 82 países, serve como um guia essencial para as políticas que serão definidas após os compromissos assumidos na COP30, que será realizada em Belém. É um chamado à ação para um futuro mais seguro e justo para todos.

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