A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade, nesta quarta-feira (25), ao julgamento dos réus acusados de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Durante a sessão, o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, apresentou seu voto detalhando os elementos que baseiam a acusação formulada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em sua argumentação, fundamentada em provas e acordos de delação premiada — como a de Ronnie Lessa —, Moraes destacou que a atuação de Marielle Franco representava um entrave aos interesses do grupo político dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão. Segundo o ministro, a vereadora era classificada pelos mandantes como uma "pedra no caminho" que precisava ser eliminada para garantir a continuidade de suas atividades ligadas à milícia na zona oeste do Rio de Janeiro.
Ao analisar o contexto do crime, o relator o classificou como um homicídio com motivações financeiras e um ato de violência política de gênero. Moraes ressaltou que a ação visava interromper o trabalho de uma parlamentar negra e de origem humilde que confrontava os interesses do grupo dominante na região. Além disso, o assassinato teria sido planejado para servir como um aviso a outros políticos fluminenses que tentassem intervir nas áreas de influência da família Brazão.
Um ponto destacado pelo ministro, com base nos relatos das delações, foi o erro de cálculo político por parte dos mandantes. Acreditando que o assassinato passaria despercebido e cairia no esquecimento, os irmãos Brazão teriam sido surpreendidos e demonstrado preocupação com a repercussão nacional e internacional que o caso tomou.
A previsão é de que a Primeira Turma conclua a votação ainda nesta quarta-feira (25). A decisão definirá pela absolvição ou condenação dos três principais réus apontados como mentores do crime:
Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ);
Chiquinho Brazão, ex-deputado federal;
Rivaldo Barbosa, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, acusado de atuar para dificultar as investigações.







