Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Política

Candidatura de Flávio Bolsonaro pode rachar ainda mais a direita

A indicação de Flávio Bolsonaro para a presidência em 2026, feita por Jair Bolsonaro, pode ser um balão de ensaio que desestabiliza a direita e afeta outros nomes como Tarcísio de Freitas.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
09 de dezembro, 2025 · 10:33 2 min de leitura
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A cena política da última semana ganhou um novo tempero: o ex-presidente Jair Bolsonaro indicou o próprio filho, Flávio Bolsonaro, como o nome da família para a corrida presidencial em 2026. Para muitos, essa movimentação escancara que o clã não tem um projeto para o Brasil, mas sim um projeto de poder que passa de pai para filho, sem o menor constrangimento.

Publicidade

Nesse xadrez familiar, Michelle Bolsonaro, que era vista por alguns como uma possível força, ficou de lado. Essa posição pode até transformá-la em uma figura mártir, ganhando apelo para surgir como uma alternativa ao filho de seu marido. Fica claro que as atenções se voltam para um sobrenome, e não para o futuro da nação, como os bolsonaristas tanto gostam de pregar.

A notícia de que Flávio seria o “escolhido” impactou rapidamente o mercado financeiro, especialmente pela possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ser retirado da condição de candidato da família Bolsonaro à presidência. Para Tarcísio, que sempre se manteve em uma posição neutra, essa jogada foi até confortável. Ele pode agora buscar a reeleição em São Paulo sem grandes problemas e sem um adversário de peso. Além disso, mantém-se como um nome forte para 2030, quando o cenário estará mais aberto sem a presença de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa. Esse é o caminho mais tranquilo para os futuros “tarcisistas”, que devem ganhar força à medida que o bolsonarismo perder sua intensidade.

No entanto, o anúncio surpreendente sobre a sucessão de Flávio veio com um recado nas entrelinhas: sua candidatura tem “um preço”. Para quem entende os sinais, é a senha de que ele pode ser substituído por qualquer outro candidato politicamente viável que levante a bandeira do perdão para Jair Bolsonaro e para todos os envolvidos na tentativa de golpe. Flávio é, eleitoralmente, mais fraco que outros nomes potenciais, mas é, de longe, o mais articulado do clã e tem mais facilidade para dialogar com diferentes grupos políticos. Mesmo assim, a pressa com que o desejo de Jair foi divulgado mostra que a paz interna na direita está longe de ser alcançada.

Publicidade

A direita brasileira parece continuar sem rumo, principalmente porque, depois de 2018, fez da família Bolsonaro a única opção possível. A gestão ruim de Jair até 2022, que acabou fazendo o lulopetismo ressurgir com muita força eleitoral, é uma consequência direta dessas escolhas. Enquanto Tarcísio tem as menores preocupações, outros nomes como os governadores Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Ratinho Jr. precisarão agir rápido para se fortalecerem para as urnas em 2026. Eles terminam seus segundos mandatos e correm o risco de serem esquecidos, assim como Jair corre o risco de ser, se as previsões negativas para Flávio se confirmarem. O Brasil até pode ter um projeto conservador de direita, mas não precisa ser refém de uma família, como mostram Jair, seus filhos e sua esposa.

Leia também