A Bahia se consolidou como um dos estados mais importantes na política fundiária do Brasil. Segundo dados do Incra, o estado desapropriou 1,26 milhão de hectares entre 1995 e 2025, garantindo a quarta posição no ranking nacional de áreas destinadas ao assentamento de famílias.
O volume de terras baianas destinadas à reforma agrária só fica atrás do Mato Grosso, Maranhão e da região Sul do Pará. O levantamento, obtido via Lei de Acesso à Informação, mostra que o Nordeste segue como peça-chave na redistribuição de terras no país.
Apesar dos números históricos, o ritmo de novas desapropriações caiu drasticamente. Se em 1995 o Brasil desapropriava mais de 1 milhão de hectares por ano, em 2025 esse número despencou para apenas 13,3 mil hectares, refletindo uma mudança na estratégia do governo federal.
Atualmente, o foco na Bahia mudou da criação de novos assentamentos para a regularização de áreas que já estão ocupadas. Em vez de desapropriar novas fazendas, o Incra tem trabalhado mais na entrega de títulos de reconhecimento de terras para quem já está no local.
Os dados revelam que o declínio desse modelo começou em 2011, passou por um período de escassez entre 2016 e 2018 e chegou a ser praticamente zerado entre 2019 e 2022. No atual governo Lula, há um ensaio de retomada, mas a prioridade continua sendo a parte documental.
Para os movimentos sociais do campo, essa transição preocupa. Eles avaliam que a reforma agrária deixou de ser "ativa", com a conquista de novos espaços, para se tornar apenas uma legalização de posses antigas, o que interfere no combate à concentração de terras no estado.







