A notícia da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças especiais do governo dos Estados Unidos, neste sábado (3), agitou o cenário político da América Latina e provocou reações divididas entre os líderes da região. Enquanto alguns chefes de estado celebraram a ação, outros a condenaram veementemente, classificando-a como uma grave violação da soberania.
Apoio à Ação dos EUA: Milei e Noboa Celebram
Um dos primeiros a se manifestar com entusiasmo foi o presidente da Argentina, Javier Milei. Em uma publicação curta e direta na rede social X, Milei escreveu:
“La Libertad Avanza. Viva la libertad carajo”.A frase expressa o apoio do líder argentino à investida militar do governo Donald Trump para prender Maduro e removê-lo de seu país.
Na mesma linha de apoio, o presidente do Equador, Daniel Noboa, também sinalizou ser favorável aos ataques dos Estados Unidos à Venezuela. Em sua conta no X, Noboa demonstrou satisfação ao ver o que chamou de "estrutura criminosa dos narco chavistas" desmoronar. Ele declarou:
“A todos os criminosos narco chavistas, sua hora chegou. Sua estrutura vai terminar de cair em todo o continente”.
Condenação Generalizada na América Latina
Apesar do apoio de Milei e Noboa, a maioria dos líderes latino-americanos se posicionou contra a operação dos EUA, destacando a gravidade da intervenção militar em um país soberano.
Lula e Díaz-Canel Repudiam com Força
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fez uma das declarações mais enfáticas, afirmando que a ação militar dos Estados Unidos ultrapassa todos os limites aceitáveis nas relações entre nações. Lula destacou:
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”.Para o presidente brasileiro, a ação da madrugada é uma clara violação do direito internacional, que abre caminho para um mundo de "violência, caos e instabilidade".
Da mesma forma, o líder cubano Miguel Díaz-Canel postou uma condenação incisiva na rede X, repudiando a ofensiva das forças especiais norte-americanas. Díaz-Canel exclamou:
“Cuba denuncia e exige urgente reação da comunidade internacional contra o criminoso ataque dos EUA à Venezuela. Nossa zona de paz está sendo brutalmente atacada. Terrorismo de Estado contra o corajoso povo venezuelano e contra a nossa América. Pátria ou morte! Venceremos!”
Petro, Sheinbaum e Boric Pedem Respeito e Diálogo
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, criticou duramente a ofensiva norte-americana e anunciou que seu governo convocou o Conselho de Segurança Nacional para dar assistência aos colombianos que estão na Venezuela. Em suas palavras:
“O governo da Colômbia repudia a agressão à soberania da Venezuela e da América Latina. Os conflitos internos entre os povos devem ser resolvidos pelos próprios povos em paz. Esse é o princípio da autodeterminação dos povos, que é a base do sistema das Nações Unidas”.Petro também fez um apelo ao povo venezuelano para buscar o diálogo e a unidade, reforçando que "sem soberania não há nação" e que a "paz é o caminho".
A presidente eleita do México, Claudia Sheinbaum, por sua vez, reforçou a importância do direito internacional, relembrando um trecho fundamental da Carta das Nações Unidas:
“Os integrantes da Organização deverão abster-se, nas suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou de qualquer outra forma incompatível com os objetivos das Nações Unidas”.
Com um tom mais moderado, o presidente do Chile, Gabriel Boric, expressou preocupação com a situação e pediu uma solução pacífica para a crise venezuelana. Boric declarou:
“Apelamos por uma solução pacífica para a grave crise que afeta o país”.Ele também enfatizou que a crise na Venezuela deve ser resolvida por meio do diálogo e do apoio do multilateralismo, e não através da violência ou da interferência estrangeira.
A captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, portanto, expõe uma profunda fissura nas relações diplomáticas e nas visões de soberania e intervenção entre as nações do continente americano, com repercussões que prometem ser debatidas intensamente nos próximos dias.







