O cenário político nacional ganhou um novo nome na corrida presidencial. Aldo Rebelo, ex-presidente da Câmara dos Deputados e uma figura histórica da esquerda brasileira, anunciou no último sábado (31) sua pré-candidatura à Presidência da República. A novidade veio durante uma transmissão pelas redes sociais, onde Rebelo, agora filiado à Democracia Cristã (DC), deixou claro seu alinhamento com pautas que marcam uma ruptura com seu passado ideológico.
Aos 69 anos, o político nascido em Viçosa, em Alagoas, surpreende ao virar a página de uma vida inteira dedicada à esquerda. Sua trajetória é marcada por seis mandatos como deputado federal, um período em que foi presidente da Câmara entre 2005 e 2007. Durante sua atuação parlamentar, Aldo Rebelo foi peça-chave para a aprovação do Novo Código Florestal Brasileiro, um marco importante para o país.
De ministro a crítico ferrenho do Judiciário
Aldo Rebelo ocupou cargos de destaque em governos de esquerda. No primeiro mandato do presidente Lula, ele foi ministro da Secretaria de Coordenação Política entre 2004 e 2005. Já durante o governo de Dilma Rousseff, Rebelo esteve à frente do Ministério do Esporte (2011-2015), do Ministério da Ciência e Tecnologia (2015-2016) e, por fim, do Ministério da Defesa, até o afastamento de Dilma.
Contrariando sua antiga militância, o discurso de pré-candidato de Aldo Rebelo agora mira em temas como o reequilíbrio entre os Poderes e traz fortes críticas ao Judiciário. Na live de lançamento, ele defendeu que o Brasil precisa “remover obstáculos institucionais”.
“Não é um problema pessoal, é um problema institucional”, declarou Rebelo, apesar de expressar apreço pessoal por alguns ministros. Ele argumenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) “não pode ser um poder acima dos demais”, levantando um ponto crucial sobre a harmonia entre as esferas de governo.
O pré-candidato também não poupou críticas às decisões recentes dos ministros do STF. Usou como exemplo o julgamento do marco temporal, que gerou um choque de entendimentos entre o Judiciário e o Legislativo. Aldo Rebelo lembrou que passou 24 anos na Câmara dos Deputados sem que houvesse contestação ao entendimento original sobre o tema, e agora o país convive com “duas normas contraditórias”, o que, segundo ele, cria uma grande insegurança jurídica.
“O Congresso aprovou uma norma, dizendo que o marco temporal estava em vigor, e o Supremo revogou essa norma”, exemplificou, reforçando sua preocupação com os rumos da legislação brasileira.
Até mesmo um atrito com o ministro Alexandre de Moraes
No ano passado, Aldo Rebelo teve um episódio marcante com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Durante um depoimento como testemunha em um processo sobre a suposta “trama golpista” no governo Bolsonaro, Rebelo foi ameaçado de prisão por desacato.
“Se o senhor não se comportar, vai ser preso por desacato”, disse Moraes, depois de pedir objetividade e ouvir um “não admito censura” como resposta. Aldo Rebelo, por sua vez, garantiu que estava se comportando, em um momento de alta tensão na corte.
O ex-deputado estava ali para depor em defesa do ex-chefe da Marinha Almir Garnier Santos.
Desempenho inicial nas pesquisas e o partido Democracia Cristã
Apesar do anúncio recente, o nome de Aldo Rebelo já está sendo testado em pesquisas de intenção de voto. Na sondagem da Paraná Pesquisas divulgada esta semana, ele apareceu com índices modestos: 1,1% em um cenário com Lula e Flávio Bolsonaro, e 1,4% em outro cenário que substituiu Flávio por Tarcísio de Freitas. Em ambos, ele ocupa a última posição entre os citados.
O partido que o abriga nesta nova fase, a Democracia Cristã (DC), tem uma história de quase três décadas. Fundado em agosto de 1997 como Partido Social Democrata Cristão (PSDC), mudou seu nome para o atual. A sigla foi palco de seis candidaturas presidenciais do conhecido José Maria Eymael, entre 1998 e 2022.
Desde 2025, o DC é presidido pelo ex-deputado federal João Caldas, também alagoano. Ele é pai do atual prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), e esposo da senadora por Alagoas, Eudócia Caldas, que assumiu o cargo em dezembro de 2024. A família Caldas reforça a presença alagoana na cúpula do partido, agora com um pré-candidato presidencial também de Alagoas.







