O vice-presidente Geraldo Alckmin demonstrou otimismo nesta quarta-feira (11) sobre a aprovação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Mesmo com um pedido de vista que adiou a análise no Congresso Nacional para o dia 24 deste mês, o governo brasileiro acredita que o texto será aprovado e seguirá para a Câmara dos Deputados no começo de março.
Alckmin, que também é ministro da Indústria, Comércio e Serviços, se reuniu com o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores, e com a senadora Tereza Cristina (PP-MS). O principal assunto do encontro foi justamente o acordo e as 'salvaguardas' – regras de proteção para produtos europeus – impostas pela União Europeia.
Um mercado gigantesco e oportunidades para o Brasil
Para o vice-presidente, o acordo é uma chance de ouro para o comércio exterior do Brasil, prometendo atrair muitos investimentos e gerar empregos e renda.
“Esse é o maior acordo entre blocos do mundo. São US$ 22 trilhões de mercado, uma enorme oportunidade de vender produtos brasileiros e atrair investimentos para o Brasil, com oportunidades extraordinárias para a agricultura, pecuária, indústria, serviços”, destacou Alckmin.
Ele explicou que o presidente Lula já enviou a mensagem ao Congresso para que o acordo comece a ser tramitado. A ideia é que a aprovação inicial aconteça no Parlasul (Parlamento do Mercosul), com a colaboração dos senadores Nelsinho Trad e Tereza Cristina para acelerar o processo. Depois, o texto irá para a Câmara dos Deputados e, finalmente, para o Senado.
O senador Nelsinho Trad confirmou a expectativa de que o relatório do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) – que é favorável ao acordo – seja votado logo após o Carnaval no Parlasul. Em seguida, o texto seguirá para o Plenário da Câmara e, posteriormente, para o Senado. O relatório de Chinaglia aponta que o acordo vai criar uma vasta área de livre comércio, com redução gradual de tarifas, mantendo a proteção para setores importantes e prevendo formas de resolver qualquer problema que possa surgir.
Salvaguardas: preocupação, mas não empecilho
Uma das maiores preocupações em torno do acordo são as salvaguardas que a União Europeia exige, buscando proteger alguns de seus produtos. No entanto, o senador Nelsinho Trad não crê que essa questão vá impedir a rápida aprovação do texto.
“Não, não creio [que o agro possa atrapalhar a aprovação do acordo]. O que se tem que fazer diante dessa matéria que está lá no Congresso é votar sim ou votar não, não dá mais para você emendar”, afirmou Nelsinho Trad.
Ele acrescentou que, para lidar com a complexidade da implementação, um grupo de trabalho foi criado. Esse grupo vai juntar técnicos, consultores, senadores e a equipe do Ministério do Desenvolvimento, comandada por Alckmin, para garantir que tudo funcione bem.
Geraldo Alckmin reforçou a intenção do governo de trabalhar em conjunto com os senadores para acalmar as preocupações do agronegócio. Ele fez questão de tranquilizar o setor:
“O Senado criou um importante grupo de trabalho para a gente poder aprimorar todas as salvaguardas. Teremos todo um cuidado. A desgravação [redução das tarifas] é lenta, ela não é imediata. No caso do Brasil, ela começa em metade e nós vamos ter praticamente 10 anos”, explicou o vice-presidente, garantindo uma transição suave para os produtores brasileiros.
A senadora Tereza Cristina, que representou a Frente Parlamentar da Agropecuária no encontro, apesar de reconhecer que as salvaguardas “tiraram o brilho do acordo”, afirmou que não haverá resistência do setor agrícola para que o tratado seja celebrado. Ela vê o acordo como um todo positivo para o Brasil a médio prazo.
“O que viemos fazer aqui foi conversar sobre como também trabalhar essas salvaguardas, mas é um acordo enorme e existem muitas oportunidades. Mas temos que trabalhar para que alguns segmentos não sejam fortemente atingidos, como o leite”, pontuou a senadora.
Ela concluiu, otimista, que o acordo é uma via de mão dupla e que o Mercosul, por ser muito competitivo no agronegócio, saberá aproveitar as chances.
Questão política em segundo plano
Durante a coletiva de imprensa, Tereza Cristina foi questionada sobre uma declaração do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que a defendeu como vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL). A senadora, no entanto, minimizou a conversa.
“Eu acho muito cedo para essa conversa. O vice é a última coisa. Ninguém se candidata a vice. O candidato é presidente da República. Isso é uma conjuntura que os partidos que se coligarem vão sentar e colocar nomes, e aí nós vamos decidir”, respondeu, dizendo que se sentiu lisonjeada com a lembrança, mas que o momento ainda não é para essa discussão.







